21 de mai de 2011

Capitulo Primeiro: O Inicio da Tristeza e a Caminhada entre Abismos [parte 1]


Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo? Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte; Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.
Livro de Salmos Capitulo 13

Quando ainda continha em mim muita juventude fui convidado a ser padrinho de casamento de um grande amigo que congregava junto comigo em uma igreja pentecostal pequena da qual lutamos juntos para que crescesse. Na época lembro que, não tinha deixado a idéia de montar uma família florear, lembro que minha ansiedade era trabalhar, estudar e ver até onde eu iria com isso e que a idéia de fundar uma família era por demais atemorizada por que nunca me via preparado, ou mesmo não conseguia conceber alguém para viver a vida integralmente, pois entendia ser impraticável uma família se manter amando-se a vida inteira, afinal minha família se rompeu muito cedo.

Mas regressando ao mote do casamento de meu amigo, lembro que a pregação na cerimônia foi de que era desagradável ao homem permanecer sozinho.

“E minha alma, sem luz nem tenda, passa errante, na noite má, à procura de quem me entenda e de quem me consolará...” Cecília Meireles

Sempre fui só, nunca fui um indivíduo de muitos amigos, mas de escassos amigos sinceros e leais. Nunca fui de ter muitas namoradas e das namoradas que tive algumas vezes as cultivava por mera obstinação ou por algum sentimento que não lembro agora, mas se lembrasse também não saberia como.

Ou seja, jamais amei ninguém e jamais me conheci amado.

“Se as coisas são inatingíveis... Ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas.” Mario Quintana

Mas a partir desse casamento almejei muito amar alguém para a vida toda mesmo que isso fosse algo muito remoto como estrelas. Mas em uma comunidade de loucura virtual e por idéias espalhadas na rede conheci alguém distante e intangível a não ser pelo toque de vidro de um monitor. Ela era conhecida como Sol, habitava em Recife, Pernambuco bem longe da capital paulista.

Mas a cada toque de teclado, a cada frase interurbana, a cada carta ela me fez experimentar que era admissível eu amar e me experimentar ser amado, e ter um relacionamento de troca intima de sentimentos e especialmente uma união de existência duradoura.

Quando nos vimos pessoalmente no aeroporto da capital paulista me tornei um misto de homem sem jeito com alguém que estava determinado e que sabia que aquela era a mulher da sua vida, afinal como se pronuncia popularmente “toda panela tem sua tampa” e pelo jeito aquela seria a minha.



“Eu quero amar, amar perdidamente. Amar só por amar.”
Florbela Espanca

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Ainda continuarei o Capítulo Primeiro. Lembrando que é somente um esboço.

*Para quem não sabe lutamos muito por Davi, meu filho, desde seus sete meses de idade. Descobrimos nessa época que ele tinha um câncer raríssimo em crianças. O grande Golias a ser vencido se chamava Glioblastoma Multiforme localizado no sistema nervoso central. As previsões eram as piores possíveis a melhor delas era a cegueira e o lado esquerdo paralisado. Mas era unânime entre os médicos que estimativa de vida era só de mais três meses.
Mas hoje Davi está com dois anos e curado, foi mais de um ano de choro, luta e desespero avassalador que consumiu minha família.
Com está série de textos quero compartilhar algo que tem muito mais a ver com amor de Pai e filho do que um por que de nossas angustias.
Abraço!*

2 comentários:

Patrícia Fonseca disse...

Querido mano Marco,

Mais uma vez prazer em te ler!
Que bonita história.
Aguardo na expectativa dos próximos capítulos.
Um grande abraço à você e toda sua família.
Deus continue os abençoando e renovando o amor e comunhão entre vocês!
Com apreço,
Patrícia.

Luciano Santos disse...

O que falar diante de relato tão bonito!

A o amor... não aquela coisa insana que nos acomete com a loucura. Isso é paixão! O amor é diferente, é acanhado, tímido, solícito e prudente.

Belíssimo relato da história da família querido amigo, um relato humano... e sempre que nos revelamos despertamos este sentimento de comum, de que não sou único a ter problemas, e nem os meus problemas são os maiores.

Deus abençoe a ti, a Sol e ao pequeno Davi, o seu milagre vivo. E que ele possa desfrutar da vida muitos anos além dos nossos dias. Fiquem na Paz e na Graça de Deus Pai, de Cristo, e do Santo Espírito de Deus.

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