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7 de mai. de 2012

Confissões Agostinianas




Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor fugaz, nem a claridade da luz, tão cara a estes meus olhos, nem as doces melodias das mais diversas canções, nem a fragrância de flores, de ungüentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os membros tão afeitos aos amplexos da carne. Nada disto amo quando amo o meu Deus.

E, contudo, amo uma luz, uma voz, um perfume, um alimento, um abraço de meu homem interior, onde brilha para minha alma uma luz sem limites, onde ressoam melodias que o tempo não arrebata, onde exalam perfumes que o vento não dissipa, onde se provam iguarias que o apetite não diminui, onde se sentem abraços que a saciedade não desfaz.

 Eis o que amo quando amo o meu Deus!

‘O corpo, devido ao peso, tende para o lugar que lhe é próprio, porque o peso não só tende para baixo, mas também para o lugar que lhe é próprio. Assim o fogo encaminha-se para cima, e a pedra para baixo. O azeite derramado sobre a água aflora à superfície; a água vertida sobre o azeite submerge-se debaixo deste: movem-se segundo o seu peso e dirigem-se para o lugar que lhes compete. 

As coisas que não estão no próprio lugar agitam-se, mas quando o encontram, ordenam-se e repousam.

O meu amor é o meu peso. Para qualquer parte que vá, é ele quem me leva. O vosso Dom inflama-nos e arrebata-nos para o alto. Ardemos e partimos. Fazemos canções no coração e cantamos o “cântico dos degraus”. 

É o vosso fogo, o vosso fogo benfazejo que nos consome enquanto vamos e subimos para a paz da Jerusalém celeste. “Regozijei-me com aquilo que me disseram: Iremos para a casa do Senhor”. Lá nos colocará a “boa vontade”, para que nada mais desejemos senão permanecer ali eternamente.’

(trechos extraídos de Confissões, livro de Santo Agostinho)

27 de abr. de 2012

Os vacilantes, falhos e gananciosos homens que tentam barganhar com Deus


Por Marco Alcântara

Todos nós somos vacilantes e propícios a falhas, quedas e fracassos. A vida é um misto de vitórias e derrotas, embora que por um lado devemos encarar as derrotas mais como aprendizado e nos alegrarmos por algumas situações não saírem como planejamos. Afinal, a nossa premeditação é de visão limitada e fragilizada por nossa finitude e pouca ciência da vastidão das probabilidades do futuro e até mesmo do presente.  Sendo que, nunca entendemos o real sentido de “que todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus”, entendendo isso saberemos que não existem fracassos.

Normalmente não aceitamos bem as falhas, perdas e os tropeços e com isso tentamos racionalizar todos os acontecimentos que nos levaram ao fracasso. É claro que meditar nos tropeços e perdas reconhecendo-os, nos leva a um aprendizado maior, a meditação é semelhante ao regar uma planta, faz aparecer os frutos da graça, mas também é comum não partirmos desse principio.  Comumente nos lançamos ao caminho aparentemente mais fácil, tentamos barganhar com Deus.

Procuramos usar os meios de graça como meios de troca de favores com Deus.


17 de abr. de 2012

A Culpa é de Quem ?!



Por Marco Alcântara


Lembro de que quando eu era criança umas das frases mais usadas era “não fui eu” ainda mais quando fazia alguma coisa errada e ninguém via. Não me lembro de ninguém ter me ensinado quando criança a mentir não admitindo minha culpa. Creio que isso é algo inerente ao ser humano, uma bagagem que já nasce conosco particularmente natural a todos.

Acredito que muitos são assim hoje ainda. Sempre lançando suas frustrações, fracassos, indecisões e imobilidade no outro. Sempre vivendo o inferno que são os outros.



30 de mar. de 2012

Nossa História





Aquele que nega sua história nega seu futuro, por que não reconhece seus erros e não pode aprender com eles e construir um futuro através disso. 


A história do cristianismo também é isso; é uma reconstrução constante de nós mesmos e de tudo que circunda a fé. 


Nem quando nascemos nascemos zerados; somos homens e mulheres que acertam e erram e que devemos aperfeiçoar tanto acertos como erros para isso concordo que devemos nos focar em Cristo como base.


Mas numa base também se constroem coisas que tem valor e outras de que nos arrependemos e que podemos concertar com uma boa reforma totalmente graciosa.





26 de mar. de 2012

Quer mudar o mundo? Mude-se intimamente em comunhão com o Pai


Por Marco Alcântara


“Se queres ser universal, começa a pintar a tua aldeia.” Léon Tolstói

Quer "ganhar almas” para Jesus e mudar o mundo, então mude a si mesmo e não converta somente seus hábitos sociais e práticas públicas. Não somente limite-se a ser politicamente correto como uma forma de castrar o seu caráter moldando-o a tendências do momento que logo passarão e mudarão com o próximo verão.

Preocupe-se em converter sua consciência por que o que contamina não é o exterior e sim o que sai do seu interior. Tenha uma pratica de fé sentimentalmente saudável.

Mude-se intimamente sendo intimo com o Pai e com o teu próximo. Não lute por mudanças nas pessoas; elas mudarão acompanhando a sua mudança e crescimento espiritual.


28 de fev. de 2012

Os “e se” e o Aprofundamento em Nossas Feridas



Estes dias estão sendo muito difíceis, pois perdi meu irmão caçula e a dor dessa perda é sufocante. Por mais que saibamos das nossas convicções de fé e da esperança de paz e encontro de descanso no Pai. Sempre tentamos esmiuçar a situação e pensamos nos “e se” e quando oramos interrogamos o nosso Pai em um ato de quem se sente desamparado pelo tamanho de sua perda.

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu clamor?

Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego. 

Salmos 22:1-2


Por mais forte que achamos que somos e convictos de nossa fé sempre nos encolhemos e nos despedaçamos em frente as nossas perdas. Não somos estéreis de lágrimas e muito menos de sentimentos e ter convicções de fé não é sinônimo de invulnerabilidade. Talvez muitos ensinem isso na visão do triunfalismo cristão que corre como enxurrada deixando escombros pela maioria das igrejas dos nossos dias.

17 de ago. de 2011

Jesus Caminhando sobre a Água - Um sermão sarcastico e sério não sobre o que você tem que fazer, mas sobre o que você é



Pregam  sobre  Jesus caminhando sobre as águas a vários domingos em vários lugares  para todos os pecadores e santos e nós pensamos que talvez deveríamos ter uma piscina infantil posta na parte dos fundos do quintal para que você e todo mundo possa "testar a sua fé". Você sabe é aquela história - vá em frente e tente dar o seu melhor.


15 de ago. de 2011

A Descoberta de um Deus de Todos – Parte II



Nota: “Esta é mais uma parte da série de contos que estou escrevendo sobre a igreja e o cristinismo em geral e também sobre coisas e pessoas que rodeiam esse universo.”
 
- Parte I – Parte II

Domingo por volta das dezessete horas era sempre a mesma rotina quase como um ritual não celebrado, aquela ultima olhada no espelho para ver a gravata e o cabelo e de relance olha para baixo e sorri contente pelo lustre que conseguiu no seu sapato preto. Manoel sai em disparada pega sua bíblia e corre para igreja que fica a duas quadras de sua casa, ele não quer chegar atrasado para poder ter tempo de orar antes do culto começar, assim como faz costumeiramente desde que se tornou presbítero e principal auxiliar do pastor de sua congregação. 

6 de ago. de 2011

A Descoberta de um Deus de Todos - Parte I



"Penso que toda oração feita com sinceridade, até mesmo a um falso deus ou a um Deus verdadeiramente mal concebido, é aceita pelo Deus verdadeiro e que Cristo salva muitos que nem pensam que O conhecem"

C.S. Lewis

12 de jul. de 2011

Prato Sem Gosto

*Eugene de Blaas*



Por Marco Alcantara


"Uma inércia espiritual é nossa inimiga; uma tempestade talvez seja nossa amiga. A controvérsia talvez provoque pensamento, e por meio dele talvez venha a mudança espiritual necessária."
Charles H. Spurgeon

6 de jul. de 2011

Zé Amou Primeiro

Por Marco Alcantara


Ninguém conhecia Zé, ninguém olhava para o Zé e ninguém queria ser o Zé. Zé era só mais um Zé em um país de zezinhos.

28 de jun. de 2011

A Farsa Moral do Politicamente Correto

Por José Carlos Sepúlveda da Fonseca

A maior parte das sociedades modernas cultua como valor básico a liberdade de expressão, pela qual todo e qualquer indivíduo pode manifestar publicamente e sem censuras suas opiniões, desde que estas não incitem ao crime. Mas, curiosamente, a chamada liberdade de expressão vai sendo corroída não tanto por dispositivos legais mas por uma mentalidade, uma ideologia que se vai disseminando a pouco e pouco. Eu a qualificaria como a ideologia do “anti-preconceito” e da “não-discriminação”.
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O leitor já notou que, cada vez mais, diversas opiniões ou atitudes a respeito dos mais variados assuntos (culturais, científicos, políticos, sociológicos, até esportivos) são facilmente qualificadas de preconceituosas ou discriminatórias? E em nome da ideologia do “anti-preconceito” e da “não-discriminação” nosso modo de pensar e de agir é cada vez mais policiado? Policiado socialmente, policiado midiaticamente (se me permitem o termo).
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Pode parecer contraditório, mas essa ideologia – e a mentalidade que ela gera – é ela, sim, profundamente discriminatória e cerceadora do direito de expressar idéias, em relação a todos os que não professam seus valores, ou melhor seus contra-valores.
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Furor “não discriminatório”
Faça um teste! Dê, por exemplo, uma opinião contrária ao “casamento” homossexual, à adoção de crianças por “casais” homossexuais, ou formule um julgamento moral a respeito da homossexualidade e logo verá as patrulhas do pensamento “não discriminatório” se levantarem com furor, brandindo a acusação de homofobia, um epíteto de contornos mal definidos com o qual se pretende voltar a hostilidade pública contra alguém.

Se essa opinião for dada publicamente, com repercussão mediática, o furor “não discriminatório” subirá vários decibéis e contará com a preciosa colaboração de uma parte considerável do jornalismo engajado, que ampliará esse histerismo ideológico.
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Estamos em presença do pensamento “politicamente correto”, que se tornou verdadeiramente policialesco em relação ao pensamento e à linguagem.

Alvos selecionados

Mas vejam bem, toda esta máquina de indignação tem seus métodos e metas, tem seus inimigos e cúmplices e escolhe os momentos e os personagens alvos de sua inconformidade.
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Há poucos dias Evo Morales, o presidente da Bolívia, em uma de suas investidas anticapitalistas, defendia o “socialismo comunitário em harmonia com a terra”. Em determinado momento, afirmou que o consumo de transgênicos e de frangos alimentados com hormônios femininos causam a calvície, a homossexualidade e a impotência sexual (cfr. Valor e O Estado de S. Paulo 22.abr.2010).
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Era de se esperar que o furor anti-homofóbico explodisse internacionalmente. Imagine-se que as afirmações tivessem sido proferidas pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush, um alvo preferencial da mídia “politicamente correta”. A gritaria “anti-homofóbica” teria preenchido os espaços mediáticos, e os leões do pensamento “não discriminatório” teriam rasgado suas vestes em público.
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Mas como a afirmação foi feita por Evo Morales, um membro da grei ideológica onde prolifera a ideologia do politicamente correto e onde o ativismo pró-homossexual tem sua guarida, os protestos foram bem minguados e tiveram um eco diminuto na mídia.

Silencioso marxismo cultural

Ao comentar este e outros episódios, o jovem e brilhante jornalista Henrique Raposo, no semanário Expresso de Lisboa (23.abr.2010) respondeu à pergunta: O que é o politicamente correto?

São trechos desse artigo que hoje quero compartilhar com os que acompanham o Radar da Mídia:
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“I. O “Politicamente correto” é, se quiserem, um silencioso marxismo cultural.
Se o velho marxismo era uma coisa de massas, este novo marxismo é uma coisa silenciosa. O politicamente correto não é uma ideologia coletiva. É, isso sim, uma crença privada. Mas, atenção, é uma crença privada partilhada, em silêncio, por milhões. É um manual de comportamento e de policiamento do pensamento e do vocabulário.
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II. O velho marxismo assentava numa simples dicotomia moralista: havia os “bons”, os operários, e os “maus”, os burgueses. O novo marxismo cultural readaptou essa lógica para a esfera cultural, religiosa e étnica: há o “mau”, o Ocidente branco, e há o “bom”, o resto do mundo não-ocidental. Isto, como é óbvio, gera a farsa moral dopoliticamente correto. Uma farsa que mina o debate das nossas sociedades.
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III. Um exemplo desta farsa: há dias, Evo Morales disse uma barbaridade:
os transgênicos, segundo o Presidente da Bolívia, causam a terrível doença da homossexualidade. Esta declaração, que é um absurdo, não causou polêmica. Os “tolerantes” do costume não reagiram. Se tivesse sido um líder ocidental a dizer semelhante disparate, oh meu Deus, tinha caído o Carmo e a Trindade. Mas como foi um “indígena” da Bolívia, as boas consciências calaram-se. Tal como se calaram perante o racismo de Lula da Silva (“esta crise é da responsabilidade de louros de olhos azuis”) ou perante a ignorância criminosa de líderes africanos (“a AIDS é uma invenção ocidental”). Pior: os “tolerantes” são incapazes de criticar a “homofobia” de Morales, mas já são capazes de me apelidar de “racista” só pelo fato de eu criticar Morales. É esta a hipocrisia vital do chamado “politicamente correto”.”

17 de jun. de 2011

A Irrelevância Cristã


Por Marco Alcantara

Observo a cristandade - dentro dela diversos segmentos - e sempre me pergunto onde está a graça?

Observo as questões levantadas e não sinto a mínima vontade de comentar, interagir sobre seus assuntos, dilemas e esperanças. São questões que me parecem tão irrelevantes e tão banais.

Vejo as pessoas querendo buscar um olhar diferente de Deus ou somente chamar a atenção de um ser que dentro da fé que confessamos é Onisciente. Diante disso me calo e ignoro, ou pelo menos tento.

Vomitar toda a teologia sem vivenciá-la é irrelevante, mesmo que está teologia vá de encontro ao mais profundo teólogo póstumo ou a era pentecostal e suas estranhezas.

Pensar num cristianismo pragmático onde tudo deve ser pesado, pensado e posto em prática se tornou um discurso tão irrelevante por causa da banalidade de querer ser o melhor cristão do mundo que se equipara às questões rotineiras como decidir a roupa - ou no caso máscara e fantasia - que irá vestir.

Realmente é pura banalidade e irrelevância querer ser "visto" por Deus dentro do cristianismo vivenciado dessa forma. Digo isso pelos dogmas e divergências que existem mais debaixo para cima do que de cima para baixo.

Afinal existe um Deus pessoal e onisciente; então por que no meio do aglomerado de pessoas pedintes, em meio a gritos e histerias de uma demonstração bisonha de um falso poder tentamos chamar sua atenção?

Apesar de que creio serem irrelevantes as questões que trazem a pauta a unidade dos segmentos cristãos e suas idéias, regras, liturgias engessadas e dificuldades. Afinal o cristianismo nunca será uníssono, pois ele foi feito, e é praticado por pessoas que são tão diferentes entre si que nunca chegarão à utopia desejada e tão sonhada por alguns.

Creio serem irrelevantes as questões da cristandade por que somos crianças brincando de ter um “deus de pelúcia” que está pronto para tratar as nossas carências da maneira mais útil a nós mesmos. O problema é que existem tantas outras crianças com seus “deuses bonecos poderosos” desejosos para si e somente para si o que você que se acha único quer.

E nisso há o conflito que será ganho pela criança que tem o boneco mais armado pela sua “fé”.

São irrelevantes as nossas questões por que somos os peseudo-intelectuais-teologos de uma fé enlatada, rotulada posta numa prateleira duma loja gospel esperando o próximo movimento cristão que possivelmente será chamado de revelação profética, avivamento ou novo movimento cristão. Sendo que na verdade só existe a inércia daqueles irrelevantes cristãos que brincam de ter “deus” e são empurrados pelos que vem de trás e querem ser os primeiros.

Quando eu quero as respostas mais relevantes dentro do contexto cristão, simplesmente desligo meu computador, abro minha bíblia, leio, depois tapo meus olhos e ouvidos, cesso de falar e vou viver lá fora onde as pessoas que também vivem estão.

Então não me procure dentro de um segmento religioso que não irá me achar sentado buscando a atenção de um ser divino.

Vou lá fora viver no mundo que Deus criou e está me relacionar com meu próximo.

A Linguagem dos Milagres (Sto Agostinho)


Os milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo são obras divinas e convidam o espírito humano a elevar-se das coisas visíveis ao conhecimento de Deus.

E como Deus não é de natureza que possa ser visto pelos olhos do corpo; e como, de outro lado, os milagres que ele realiza ao governar e administrar a Criação, tornaram-se tão comuns pela sua freqüência, que ninguém presta atenção à admirável e espantosa ação de Deus na menor semente, ele reservou-se, em sua misericórdia, a realização de certos fatos, em momentos oportunos, fora do curso habitual da natureza.

Assim os homens passam a ficar admirados, presenciando fatos raros, embora não maiores do que os que se consideraram vulgares, em razão da assiduidade com que se realizam.


Governar todo o mundo é maior maravilha do que saciar cinco mil homens com cinco pães. Todavia, ninguém se admira com aquilo, mas se enche de admiração por isto, não porque seja maior, mas porque não é freqüente.

Quem sustenta ainda hoje o universo inteiro, se não aquele que, a partir de poucas sementes, multiplica as searas? Há aqui uma operação divina. A multiplicação de poucos grãos, de que resulta a produção das searas, é feita pelo mesmo que, nas suas mãos, multiplicou os cinco pães. Nas irão de Cristo estava esse poder.

Os cinco pães eram, de certo modo, sementes que, se não foram lançadas à terra, foram multiplicadas por aquele que fez a terra.

Foi, pois, apresentado aos sentidos um meio de, e elevar o espírito, foi dada aos olhos uma ocasião de se exercitar a inteligência, e de nos fazer contemplar, através de obras visíveis, o Deus invisível.

Mas não é a única coisa que devemos considerar nos milagres de Cristo. Perguntemos aos próprios milagres o que eles nos dizem de Cristo: se soubermos compreendê-los, veremos que eles têm a sua linguagem.

Cristo é o Verbo de Deus, e todo ato realizado pelo Verbo é para nós uma palavra.

Já notamos, pela narração feita no evangelho, a grandeza deste milagre, a multiplicação dos pães. Investiguemos agora a sua profundeza. Não nos deleitemos apenas com a aparência exterior do fato, perscrutemos seu segredo, pois o fato externo tem alguma coisa de íntimo.

Vemos, contemplamos, alguma coisa de grande, de sublime, e de inteiramente divino, pois só Deus o pode realizar, e então, pela consideração da obra, somos levados a louvar o autor. Se víssemos, em qualquer parte, uma carta muito bem escrita, não nos bastaria elogiar o copista que desenhou as letras com tanta beleza e perfeição, mas deveríamos ler o que elas exprimem.

Da mesma forma, quem observa o fato, agrada-se com sua beleza, e admira seu autor; mas quem compreende o sentido faz por assim dizer a sua leitura. Uma coisa é ver uma pintura, contentar-se com ver e louvar esse trabalho já o mesmo não se dá cem uma carta, pois somos convidados a ler o que ela diz.

Quando vês uma carta e não a sabes ler, perguntas: “que está escrito aqui?” já vês algo, e todavia ainda perguntas. E aquele a quem pedes o entendimento do que vês te mostrará algo mais. Ele tem um poder de visão, tu tens outro. Será que não vês como ele os caracteres? E, no entanto, não conheces como ele os sinais. Vês e admiras; ele vê, admira e compreende…

[Via] SURIAN

13 de jun. de 2011

Nova Ordem Espiritual

*Jorge César Mota, no livro “A pérola das orações”.

“Venha o teu Reino…” diz Jesus, interpretando as aspirações mais legítimas do coração humano, mas não é a um governo político que se refere, porém a uma disposição espiritual entre os homens. Ele pede o restabelecimento da ordem no universo moral, a colocação das coisas nos seus devidos lugares de acordo com uma graduação lógica de valores. Deve o céu dominar sobre a terra, o espírito sobre a matéria, Deus sobre o homem.

“Venha o teu Reino”, dirão de boa vontade todos aqueles que anseiam por melhores dias porque sabem que o Reino de Deus significa a hegemonia de valores que estão faltando nos reinos terrenos. Não se trata de uma revolução violenta visando a transformações políticas e transferência de autoridade civil: trata-se de ume mudança profunda no próprio ser do homem, não importando e tipo de governo do país em que mora, visando a uma transferência de autoridade
moral.

Cada pessoa que faz esta oração tem de sentir que é preciso começar por ela mesma para conseguir qualquer coisa. Mais justiça, mais paz, maior elevação moral, tudo depende de cada um.

“A sede do Reino a que se refere Jesus é o coração: “…Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o Reino de Deus respondeu-lhes Jesus dizendo: “O Reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou ei-lo ali: porque eis que o Reino de Deus está dentro de vós”. (Lc 17:20-21).

O Reino de Deus é, pois, alguma coisa que transcende as limitações de tempo e espaço.

No sermão que o Mestre proferiu sobre o Reino de Deus, conhecido como o Sermão do Monte, o centro em torno do qual giravam as idéias pregadas era: “Buscai primeiramente o Reino de Deus e a sua justiça e todas as demais cousas vos serão acrescentadas”.

Nesse sermão aparecem as características daqueles que fazem parte do Reino que Jesus veio implantar aqui na terra. Estão enumeradas nas famosas bem-aventuranças: a humildade, a aspiração da justiça, a misericórdia, a pureza de coração, o ânimo pacífico.

Os direitos de cidadania nesse Reino são adquiridos mediante um processo muito simples que, entretanto, nenhum dinheiro pode comprar: o novo nascimento. Para encontrar a vida eterna — o prêmio natural da entrada no Reino — “é necessário nascer de novo”, disse Jesus.

Cousa muito diferente de simplesmente repetir de vez em quando “Venha o teu Reino” é viver de conformidade com essa aspiração, ser cooperador de Deus, como dizia o apóstolo São Paulo.

Oxalá o leitor forme no número daqueles que cooperam com o Reino de Deus para o estabelecimento de uma era de paz e felicidade, quando os homens se sentirão todos irmãos, porque terão a Deus como o Pai Celestial, e o seu mais espontâneo impulso será harmonizar as duas vontades, a divina e a humana, com a primeira por padrão.

6 de jun. de 2011

Ama, e Fazes o que Quiseres

Por Marco Alcantara


Meu estilo de vida cristã segue o preceito agostiniano: "Ama, e fazes o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.”


Esta declaração de amor a tudo e a todos não se traduz em normas concretas válidas para todos os homens. Mas antes de tudo esse amor liberta da burocratização do evangelho, da autocontemplação, monopólio de Deus e das autoproclamações.

Os mandamentos da Lei de Deus são os espelhos que desvendam nossa imundície, que propriamente não obrigam os homens a se limparem, mas delineiam a maneira como se deve viver de amor. Ou seja, somente com o dom do amor poderemos cumprir integralmente a Lei.

Cada um tem a liberdade de aplicar a lei do amor às situações precisas e sucessivas de sua vida; com toda a liberdade, decida cada homem como há de praticar o amor; apenas toca-lhe o dever de auxiliar, preservar sempre a decência humana em cada uma de suas escolhas.

Talvez seja este meu estilo “amar e fazer o que quero” e ai que vejo a liberdade que existe através da graça proposta e não imposta por Cristo.

Existe em Cristo a proposta, o convite a amar e ser autêntico. Não existe obrigatoriedade em amar, mas no amor existe o “cuidar”, o zelo e a “responsabilidade por aqueles que você cativa”. E contra isso não há lei, morte, julgo, liturgia, dogma e religião que resista.

Individualmente somos todos semelhantes e nos diferenciamos na mais autêntica procedência que é o amor. Um grande fato é que podemos realizar várias coisas de boa aparência, mas que só refletem o nosso egoísmo de amarmos pelo politicamente correto e não por procedência da raiz do amor.

Contudo, Ame e não te ame no outro ou em suas próprias realizações.

Amar e fazer o que se quer, é a mais pura liberdade de um evangelho dinâmico onde nossos relacionamentos nos impulsionam a uma constante vontade de sermos o que realmente fomos chamados a ser ( irmãos).

Amar e fazer o que se quer é aquela liberdade extremamente recusada por nós; por que temos medo. Liberdade exige responsabilidade com o próximo e consigo mesmo.

Por fim, quem ama verdadeiramente, apenas é capaz de praticar o bem.

A raiz do cristianismo está nesta afirmação do apostolo João "Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele."

Nesta ocasião, encontra-se a forma cristã de Deus e a conseqüente representação do homem e do que precisa ser a sua atitude e obra.

Num tempo em que o nome de Deus anda às vezes associado à vingança e até ao "dever do ódio e da violência", esta é uma mensagem fundamental.

3 de jun. de 2011

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Se a virtude pode ser ensinada, como creio, é mais pelo exemplo do que pelos livros. Então, para que um tratado das virtudes?

Para isto, talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver, e medir com isso, pelomenos intelectualmente, o caminho que daí nos separa. Tarefa modesta, tarefainsuficiente, mas necessária.
Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres), e alunos precisam de livros; é por isso que eles às vezes escrevem livros, quando os que têm à mão não os satisfazem ou sufocam. Ora, que livro é mais urgente, para cada um de nós, do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse, na moral, do que as virtudes?
Assim como Spinoza, não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal, o pecado. Para que sempre acusar, sempre denunciar?

É a moral dos tristes, e uma triste moral. Quanto ao bem, ele só existe na pluralidade irredutível das boas ações, que excedem todos os livros, e das boas disposições, também elas plurais, mas sem dúvida menos numerosas, que a tradição designa pelo nome de virtudes, isto é (este é o sentido em grego da palavra arete, que os latinos traduziram por virtus), de excelências. O que é uma virtude?

É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de uma planta e de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar, ou de um homem, que é querer e agir humanamente. Esses exemplos, que vêm dos gregos, dizem suficientemente o essencial: virtude é poder, mas poder específico.

A virtude do heléboro não é a da cicuta, a virtude da faca não é a da enxada, a virtude do homem não é a do tigre ou da cobra.

A virtude de um ser é o que constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o que mata bem...


Pequeno tratado das grandes virtudes. pág 4. Sponville

Argumentações de Brejeiro ante ao Ceticismo Aberto

Por Raul Vitor Rodrigues Peixoto

Bem, considerem-se ao redor da fogueira experimentando um guisado de enguias com batatas. A paisagem ao lado é a charneca de Etin ao norte de Nárnia e essa cabana simples pertence ao nosso ilustre personagem: O Brejeiro.
Brejeiro é um personagem do livro “A Cadeira de Prata” de C.S. Lewis, a 6° Crônica de Nárnia. Meu fascínio por esse personagem começou com a primeira leitura que fiz deste livro, logo ele se tornou indiscutivelmente meu personagem favorito de todas as Crônicas. Uma identificação se tornou latente entre a minha personalidade e o peculiar personagem.

As situações que o paulama – nome da espécie a qual Brejeiro pertence – enfrentou durante sua “jornada do herói” eram quase que as mesmas situações que eu tenho de enfrentar em minha “jornada Cristã”. E a maneira como Brejeiro enfrenta essas situações adversas é a mais pessimista (ou realista, como eu prefiro) que se possa imaginar, e por conseqüências o mais cômico possível também.

O ápice desses embates que Brejeiro enfrenta é a discussão final com a Feiticeira Verde. Era incrível a que ponto a genialidade de Lewis poderia chegar, algo que aconteceu comigo por quase todos os dias em que estive na faculdade estava acontecendo alí nas paginas de um livro que “tecnicamente” era para crianças. Obviamente que a questão que era travada por Brejeiro e a Feiticeira Verdade antes de falar a mim, havia martelado na mente do próprio Lewis mais de meio século antes de martelar em minha mente. A questão dizia respeito ao Ceticismo.

Inteiro vocês da questão. O que se passa no momento da história é resumidamente o seguinte: As crianças Jill e Eustaquio estão juntamente com Brejeiro numa jornada em busca de um príncipe a muito perdido. Eles chegam então após muitos perigos a um reino subterrâneo onde os seres lá viventes são monótonos e praticamente não esboçam nenhum traço de alegria. As crianças e o paulama encontram o príncipe e o libertam de um terrível feitiço posto pela rainha daquele mundo, a Feiticeira Verde.
O que é mais interessante de se notar é que o feitiço dessa rainha é mais que algum componente mágico maléfico, seu principio ativo é o Ceticismo.

Mesmo depois de já terem ajudado príncipe Rilian a se libertar da mentira que o cativava na cadeira de prata e de todos saberem de sua maldade e sagacidade a Feiticeira Verde tenta novamente enfeitiçar Rilian e conseqüentemente Jill, Eustaquio e Brejeiro.

Com a ajuda de um pó mágico verde que subia da fogueira que inebriava os presentes no salão e tocando uma musica monótona em um bandolim – que também atrapalhava o raciocínio – a Feiticeira persuade seus alvos de que nada existe além do mundo triste e escuro que ela governa. As tentativas das crianças de dizerem que já estiveram no outro mundo, onde havia sol, florestas e céu azul eram taxativamente rechaçadas pela Feiticeira que acusava as crianças de estarem sonhando acordados, ao mesmo tempo que, dizia que imaginar esse tipo de coisa era para crianças pequenas e que eles já eram “grandinhos” demais para crerem nesse tipo de bobagem.

Quando as crianças citavam o sol, a Feiticeira as acusava de devaneios, pois elas apenas estavam vendo o lustre e imaginando por conseqüência um lustre gigantesco que iluminasse todo o céu, por conseqüência esse lustre não poderia existir pois seria apenas um aumentativo imaginário de um pequeno lustre que realmente existia.

As crianças caíram no feitiço e logo concordavam com a bruxa que na realidade não existia um outro mundo e não havia sol, pois o conceito de sol não passava de um sonho a respeito da lâmpada no teto do castelo, que realmente existia. É interessante como nesse ponto Lewis diz que era um “alívio” para as crianças e para Rilian admitir que o sol não existia e por conseqüência concordar com a bruxa. Nesse “alívio” temos claramente a experiência de Lewis quando no auge de sua juventude se sentiu aliviado ao se declarar Ateu, obviamente o “alívio” vem do fato de que ceder ao feitiço do ceticismo dê um aparente “descanso” a mente que se encontra conflitante, porém é mais claro ainda como essa desistência e esse “alivio” tem um preço caro a ser pago adiante.

Eustaquio cita então num ultimo esboço de sanidade Aslam, o Leão que no mundo de Narina é a figura da Divindade Messiânica, o mesmo argumento do sol é usado de novo pela bruxa que diz que o leão não passa de um gato visto pelos garotos em seu “mundo real” e potencializado em leão pelas crianças em um “mundo imaginário”. Dessa forma as crianças e Rilian cedem totalmente ao feitiço do ceticismo e já parecem não mais crer em coisas que um dia foram tão reais em suas próprias experiências de vida. Este é o poder do ceticismo na vida do cristão, ele pode ludibriar nossa mente cauterizando nossa consciência a ponto de negarmos nossas próprias experiências pessoais com Deus. As crianças negaram um mundo do qual elas mesmas pessoalmente haviam feito parte.

A Feiticeira Verde só não contava com o pessimista Brejeiro. Pessoas pessimistas, quase sempre, estão prontas para qualquer situação. Brejeiro toma uma atitude radical quanto ao feitiço ele apaga com os próprios pés o fogo da lareira que espalhava o doce cheiro enebriante, o feitiço perde então a sua força, ao passo que, a terrível dor da queimadura acomete os pés de Brejeiro, porém é essa dor que esclarece seus pensamentos. Quando decide abandonar o ceticismo o homem se submete a uma terrível dor, a de ter certeza de que terá de dar conta de seus atos perante uma força superior, a consciência desse fato retira o homem de sua conduta errante e ausente de sentido e o conclama a uma mudança de vida radical, mas é justamente o temor da descoberta da eternidade que leva a mente do homem a se desvencilhar de todos os feitiços.

Assim, diante de uma Feiticeira desesperada por ter de encarar um ser sóbrio, Brejeiro começa o seu argumento:

“– Uma palavrinha, dona – disse ele, mancando de dor –, uma palavrinha: tudo o que disse é verdade. Sou um sujeito que gosta logo de saber tudo para enfrentar o pior com a melhor cara possível. Não vou negar nada do que a senhora disse. Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo – árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um Nárniano mesmo que Nárnia não exista. Assim agradeço sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz.”

Dessa maneira Brejeiro destrói o feitiço cético e a bela Feiticeira e Rainha Verde se mostra a serpente sagaz que na verdade sempre foi. Em sua forma real ela acaba por ser finalmente morta. Assim C.S. Lewis através de seu personagem Brejeiro nos apresenta um argumento cabal contra toda a contestação cética que o Cristão verdadeiro encontra por onde quer que passe. A maioria esmagadora dos ateus pensa que o Cristão segue as leis divinas e os preceitos bíblicos simplesmente por temer o inferno. Vários textos bíblicos e o argumento do Brejeiro provam justamente o contrario: o Cristão Verdadeiro tem prazer na Lei de Deus. Não a segue por um temor. A praticaria mesmo se Deus fosse um sonho. Note que Brejeiro é o único que não deixa de crer na existência do mundo de cima hora alguma, porém ao argumentar ele se da o direito de supor a inexistência desse mundo e de Aslam, o que para ele é um absurdo, mas ele compreende que para argumentar contra o cético essa concessão passageira deve ser feita, pois só dessa maneira o cético será destituído de todo seu argumento. O que o ateu argumentará após declararmos que vivemos uma vida baseada em princípios Cristãos não por um medo de punição mas sim pelo prazer em viver dessa maneira? Mais complicada ainda fica a situação do ateu quando dizemos a ele que o “mundo real” dele não basta para nós, pois firmados nos princípios bíblicos nos tornamos maiores que este mundo, pois aquele que esta em nós já venceu este mundo. O mundo em que cremos e que para o ateu não passa de imaginação da de dez a zero no “mundo real” ao qual o ateu se prende quando cria artifícios, os mais diversos possíveis, para se esconder perante a realidade eminente da existência das coisas espirituais.
Estamos dispostos a trilhar por esse mundo de trevas, trilhar no caminho que leva ao Mundo de Cima, pois negar os “prazeres” desse “lugar tão chato” não é para nós prejuízo algum.

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Fonte: Argumentos Brejeiros

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