6 de jun de 2011

Ama, e Fazes o que Quiseres

Por Marco Alcantara


Meu estilo de vida cristã segue o preceito agostiniano: "Ama, e fazes o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.


Esta declaração de amor a tudo e a todos não se traduz em normas concretas válidas para todos os homens. Mas antes de tudo esse amor liberta da burocratização do evangelho, da autocontemplação, monopólio de Deus e das autoproclamações.

Os mandamentos da Lei de Deus são os espelhos que desvendam nossa imundície, que propriamente não obrigam os homens a se limparem, mas delineiam a maneira como se deve viver de amor. Ou seja, somente com o dom do amor poderemos cumprir integralmente a Lei.

Cada um tem a liberdade de aplicar a lei do amor às situações precisas e sucessivas de sua vida; com toda a liberdade, decida cada homem como há de praticar o amor; apenas toca-lhe o dever de auxiliar, preservar sempre a decência humana em cada uma de suas escolhas.

Talvez seja este meu estilo “amar e fazer o que quero” e ai que vejo a liberdade que existe através da graça proposta e não imposta por Cristo.

Existe em Cristo a proposta, o convite a amar e ser autêntico. Não existe obrigatoriedade em amar, mas no amor existe o “cuidar”, o zelo e a “responsabilidade por aqueles que você cativa”. E contra isso não há lei, morte, julgo, liturgia, dogma e religião que resista.

Individualmente somos todos semelhantes e nos diferenciamos na mais autêntica procedência que é o amor. Um grande fato é que podemos realizar várias coisas de boa aparência, mas que só refletem o nosso egoísmo de amarmos pelo politicamente correto e não por procedência da raiz do amor.

Contudo, Ame e não te ame no outro ou em suas próprias realizações.

Amar e fazer o que se quer, é a mais pura liberdade de um evangelho dinâmico onde nossos relacionamentos nos impulsionam a uma constante vontade de sermos o que realmente fomos chamados a ser ( irmãos).

Amar e fazer o que se quer é aquela liberdade extremamente recusada por nós; por que temos medo. Liberdade exige responsabilidade com o próximo e consigo mesmo.

Por fim, quem ama verdadeiramente, apenas é capaz de praticar o bem.

A raiz do cristianismo está nesta afirmação do apostolo João "Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele."

Nesta ocasião, encontra-se a forma cristã de Deus e a conseqüente representação do homem e do que precisa ser a sua atitude e obra.

Num tempo em que o nome de Deus anda às vezes associado à vingança e até ao "dever do ódio e da violência", esta é uma mensagem fundamental.

10 comentários:

Luciano Santos disse...

Neste mundo cheio de "ses", de "mas" e onde o politicamente correto impera, uma mensagem de simplicidade e aguda em sua expressão, uma mensagem que não dá margem de dúvida, não é popular, infelizmente. Se todos vivessemos dessa forma com certeza a vida seria mais fácil... Sempre que nos revelamos as pessoas se espantam e perguntam é só isso mesmo? Você não quer nada em troca?

Além disso a idéia do amor em primeiro lugar pro si só varre as mazelas relacionais, porque ao amarmos em primeiro lugar colocamos a vontade do outro em primeiro lugar.

Ótima reflexão amigão, que Deus continue abençoando a ti, a esposa e ao seu milagre vivo, o Davi. :D

Lorena disse...

"Amar e fazer o que se quer é aquela liberdade extremamente recusada por nós; por que temos medo. Liberdade exige responsabilidade com o próximo e consigo mesmo."

Pra mim, essa foi a chave do seu texto. Amor e liberdade andam de mãos dadas, e a consequência dessa união é a responsabilidade, sim. Temos a liberdade de agir conforme o nosso coração quer (muito mais do que a razão), mas, por amar, somos chamados à responsabilidade, para com nossos atos e com nosso próximo. Não há como fugir disso. Perfeito!

Parece fácil viver o amor, mas não é, não. Esse amor incondicional é coisa de Deus mesmo, tanto é que, na nossa natureza humana, ele se expressa principalmente na mais divina das relações: entre pais e filhos. Quem experimenta esse amor com certeza se sente mais pertinho de Deus. Mas todos que se permitem amar, de alguma forma, se aproximam do Pai (como diz o Evangelho).

Lindo o texto, Marco, me proporcionou uma reflexão bem bacana. Gosto demais de textos reflexivos assim!

Marco Alcantara disse...

Luciano,amar é um exercicio muito extenso e cansativo. Mas é realizador dar amor, gerar amor e se relacionar em amor.

Não vejo outra forma do evangelho se espelhar como boas novas.

ABraço!

Marco Alcantara disse...

Lorena é como o pequeno principe responsável por quem ele cativa.

Somos libertos, vidardeiramente libertos no Amor que a Graça de Cristo expressou. Sem isso não existe liberdade existe regras da religião.

A maioria prefere ficar nessa zona de conforto do que se arriscar a viver amando em um evangelho realmente puro e simples.

Abraço!

Millena Blogueira disse...

Excelente reflexão.
Amar só é bom, quando se é amado.

Marco Alcantara disse...

Milena e amar sem ser amado só é possível por meio de graça.

Amar seu inimigo então é um grande dilema.

Amar e ser amado é bom, mas não é tudo.

Abraço!

Jeh Pagliai disse...

Lindo!
Realmente a palavra "amor" está tão banalizada nos dias de hoje.
Não devemos largá-las ao vento, mas senti-lá dentro do coração!

Beijinhos

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www.jehjeh.com

Helder Chil disse...

"Contudo, Ame e não te ame no outro ou em suas próprias realizações" - Frase chave do texto pra mim, e ela realmente fez eu parar e olhar pra mim mesmo, para minhas atitudes de "Amor" e pude infelizmente de uma maneira dolorosa constatar que muitas vezes eu "me amo nos outros". Marco, muito bom o texto, a aplicação pratica de fé e cristianismo que o mesmo trás para nossa realidade e nos faz entender maneiras e motivos do verdadeiro Amar de Cristo. Parabanes pelo Lion Of Zion. Abraços, fique com Deus.

14menos7 disse...

Maravilhoso.
paradoxos gostosos de ler e sentir e tentar entender. muito bom mesmo.
além dos destaques feitos pela galera aí em cima, esse texto me fez lembrar de um estudo do caio fábio onde é citado aí em cima que a lei pode até mostrar onde erramos, mas não é ela que vai nos corrigir e sim o amor. (evangelho puro e simples KKKKK).
estamos juntos marcão. Abs.

Bruna Noronha disse...

Lindo! Já estou seguindo aqui e no twitter. Dá uma olhada no meu blog também.
http://agapecristao.blogspot.com

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