19 de mar de 2010

Deus Auto-Sustentável


Se supusermos que durante a história da humanidade fosse apagada toda revelação teológica como a bíblia, a tradição oral ou até mesmo qualquer tipo de milagre.

Sem essa revelação que nos permite exercitar a fé seria possível conhecermos Deus somente pelo exercício da razão?

Observando a argumentação de Emanuel Kant presente no Cânone da Razão Pura, podemos notar como o filósofo associa a possibilidade da existência de um Ser Supremo ao “interesse da razão” em responder à seguinte pergunta: o que me é permitido esperar? Em outras palavras, Kant conduz seu argumento, preliminarmente, condicionando o propósito da minha esperança à idéia prático-religiosa de Deus.

A razão, na tentativa de constituir um sistema entre a moralidade e felicidade, “se vê obrigada a admitir” um Criador.

O ato de crer é um ato pensado, portanto racional. A fé é inata por isso ela antecede a razão que é empírica. O que não é racional é a fé em si, que estabelece que você creia que algo seja plausível, sem averiguar a probabilidade. Essa é a forma prática, ou ainda uma das formas práticas da fé.

Se existisse um grupo de pessoas em uma ilha onde tivessem todas as condições de vida possível (água potável e comida) e que tivessem chegado bebes, sem terem tido contato com qualquer tipo de coisa que cerca a fé. Essas pessoas com o passar do tempo seriam céticos ou teístas?

É bem presumível que com o transpor do tempo cogitariam um ser capaz de atos de convenção para eles com a aparência de leis (a maçã que sempre cai, o pôr-do-sol, a chuva, a morte e o nascimento) e pelos padrões concluíriam que existiria uma “inteligência” (ou um ser racional), e a causalidade de tal ser de acordo com esta representação de leis é a sua vontade. Logo, a causa suprema da natureza, na medida em que tem de ser pressuposta para o bem supremo, é um ser que é a causa da natureza pelo entendimento e vontade (logo, o seu autor), isto é, Deus.

Até mesmo no mito da caverna (Sócrates-platão) entende-se que os prisioneiros eram teístas o que vale pensar não é se eram ou não monoteístas, panteístas ou politeístas.

O que vale o pensamento é de que é imaginável que o homem tendo ou não sistemas práticos de fé ao seu redor poderia chegar à conclusão da existência de um Ser Criador e talvez essa seja a grande questão e não se a fé é racional ou não.

Deus se auto-sustenta eternamente como Ser Supremo mesmo que o homem não o transmita de forma prática no atributo da fé. Deus se auto-sustenta em existência eterna e experiência reveladora em sua face criadora, na supremacia do bem ou na contemplação das coisas infinitas.

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