25 de mai de 2011

União Homoafetiva, PL122 , KIT Gay – Uma opinião Entre Muitas


Sou usuário assíduo do “tuiter” e com isso sempre recebo “tuitadas” para dar RT no que diz respeito a PL122. Sempre pedem para que eu assine algum abaixo assinado, ou perguntam se eu sou a favor da nova lei (que ainda não foi votada).

O assunto tem sido constante, sempre me pronunciei com poucos “tuites” sobre a questão que para mim era banal até algum tempo atrás. Para muitos eu estava em cima do muro sobre a questão, mas não. Acreditei que estas questões seguiriam seu curso normal seriam votadas e se aprovadas não mudariam em nada o meu cotidiano ou a estrutura da minha família. Afinal, crio meu filho para ser homem, não machão nem especificamente para ser hetero ou homossexual. Eu o crio para ser homem que apregoa o bem e o amor a toda criatura sem exclusões, pois foi essa educação que eu tive.

Mas eu seria hipócrita se dissesse que não ficaria contrariado com um filho homossexual. Afinal, que pai não se projeta no filho. Sou hetero, corinthiano e um “gordo deitão” (que o diga minha esposa) e é mais do que óbvio que vou influenciá-lo com a própria vida que levo junto a ele. Mas tenham certeza que amaria meu filho sobre qualquer circunstancia; até mesmo se ele se tornasse um “gordo deitão” igual a mim.

- União Homoafetiva

Como crentes somos contra a institucionalização do pecado, mas a favor da santificação do preconceito.

O problema todo é que os religiosos vêem-se como uma classe de pessoas superiores, olhando o mundo de cima para baixo. Homossexuais não são uma classe de pessoas abaixo dos heteros, por isso devem ter os mesmos direitos civis. Para usar um termo mais popular digo que o casamento gay é um direito que o estado dá e que é útil afinal eles precisam apenas de reconhecimento civil de seus direitos, segurança nas questões de herança e direito familiar. É um direito de cidadãos.

- PL122

Até certo momento eu cria ser interessante e somente uma paranóia gospel esse medo e barulho todo em torno dela. Pois é, até então seu maior opositor era o Silas Malafaia com suas contradições; um homem sem moral cristã guiado pela ganância que o fez defensor da moral cristã centralizada no âmbito sexual. Com esse tipo de representante tipificado nos deputados que o povo gospel votou era mais do que claro que essa militância anti-homossexuais, não me chamaria à atenção a não ser que fosse para rir das esperanças despedaçadas, depositadas nos púlpitos que serviram de palanque nas eleições recentes.

Aliás, a PL122 só serviu de chavão político para os dois lados e é o que vejo sobre o dilema e sua votação. Mais briga política sem moral do que qualquer outra coisa que nos leve a querelas morais.

A militância gay me fez repensar algumas coisas. Pois para mim eles se atropelaram em si mesmos e na ânsia de quererem se impor, como fazem os seguidores de Bolsonaro e Malafaia. Ou seja, se querem respeito por que não respeitar antes ou vamos criar uma “guerrinha de direitos”.

Qual é o objetivo de um “beijaço gay” nas escadarias de uma Igreja católica em Florianópolis? Chocar por chocar? Provocar? Promover o quê? Reações? Quais reações?

Nesse caso tenho então que concordar com o Arnaldo Jabor quando ele diz que: "Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal. Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório."

Não gosto de crentes proselitistas ou simplesmente chatos, eu não gostaria de ver os crentes com cartazes dentro das baladas freqüentadas por gays com cartazes impertinentes e incômodos lançando todos ao inferno.

Enfim, é mais fácil criar uma lei que protege uma minoria do que educar uma maioria. Aliás é mais fácil e mais rápido. Educação leva tempo e dinheiro.

- Kit Gay

Falando em educação eu não gostei dos vídeos que eu vi no “você tuba”. Não educa, impõe. Em minha opinião que para muita gente não vale nada, mas que para alguns sei que vale alguma coisa penso que, seria muito mais educativo se mostrassem testemunho de pessoas que sofreram bullyng ou que simplesmente foram rechaçadas por serem gays.

Investiram três milhões em um material que não será usado. Testemunhos, palestras ou fórum de discussões custariam mais barato e, com efeito, bem melhor.

Contudo, não podemos imputar consciência nas massas através de leis. Podemos apenas pela "força" da lei exigir respeito que no intimo não existe. Ou seja, a PL122 é só uma propaganda eleitoral um meio politicamente correto de não fazer o que realmente deve ser feito.

A relação cotidiana com o diferente foi o maior remédio contra meus preconceitos. Estas leis propõem um escudo e talvez um distanciamento ou um respeito por imposição e não por ação.

É bem fácil amar o que é comum a nós mesmos. Difícil é amar o diferente, o que te agride com indecência de ser ele mesmo. O Amor tudo suporta; até mesmo convicções distintas das nossas.

Não gosto da PL122 por minha própria ideologia política e social e não por que creio que essa lei vai acabar com a família. Por muitos anos a igreja só se preocupou com masturbações alheias, politicagem e apropriação de rendas. Enquanto isso o mundo lá fora piorava. Não creio nessa igreja que agora no último instante pelos holofotes das mídias quer salvar a moral cristã.

O que vou fazer a respeito destas discussões? Vou relaxar e deixar a vida seguir seu curso e mostrar com o tempo onde temos errado como sociedade, igreja e como pessoas. Portanto, se você crê no pecado homossexual não se preocupe as leis do Reino da Graça não são as leis decididas pelo STF.

A única lei do Reino da Graça é o Amor sobre todas as pessoas sem acepções étnicas ou mesmo de orientação sexuais.

11 comentários:

Lorena disse...

"A única lei do Reino da Graça é o Amor sobre todas as pessoas sem acepções étnicas ou mesmo de orientação sexuais."

Amém. Aliás, se os "cristãos" perseguissem com o mesmo afinco aqueles que, criminalmente, agem contra o amor e a vida humana, imagina que belo exemplo seriam??

Nem vou repetir meus argumentos, você já os conhece todos. Mas eu gostei muito que você tenha se posicionado no blog, Marco. Vivemos num tempo em que precisamos defender nosso pensamento, pra não ser jogado no mesmo saco do senso comum. Acho que as pessoas pecam muito mais por omissão do que por ação. Se todo evangélico sério e coerente levantasse a voz e defendesse seu ponto de vista, defendesse o evangelho que prega dos que o "empregam" como bem entende, em cruzadas modernas, o universo cristão/crente seria visto com mais seriedade por quem não é de mesma fé.

Eu tenho sorte de ter bons amigos evangélicos, pessoas sérias, que PENSAM, principalmente. Que têm suas opiniões, mesmo divergentes das minhas, mas que não se deixam usar de massa de manobra do evangelicalismo. Oxalá que todos levantem a voz e se façam ouvir, divulguem seus pensamentos e os sustentem.

Um abraço.

PS: eu sei que "kit gay" caiu na boca do povo, mas kit anti-homofobia é tão mais bonito, correto e condizente com a proposta... :P

Marco Alcantara disse...

É que eu quis dar um tom mais popular ao texto por isso usei o termo "kit-gay", mas enfim não creio que orientação sexual ou religião sejam garantias de uma pessoa ter um bom carater.

No mais eu espero para ver no que vai dar.

Abraço!

Luciano Santos disse...

Olá Marco!

Ótimo artigo! Eu compartilho seu posicionamento quanto a questão civíl. Tenho parentes que optaram por ser homossexuais, e mesmo não sendo a forma como a família gostaria, as escolhas individuais sempre são respeitadas. Gostei do posicionamento do Ministro Lewandowski quando defini como uma nova forma de entidade familiar, que se junta a já existentes pelo casamento, união civíl e monoparental.

Creio que esta forma é a correta e não fará com que os homossexuais tenha seus direitos reconhecidos, e ao mesmo tempo não constragerá igrejas de praticar atos que ferem a sua crença, como de realizar um casamento homossexual dentro da igreja.

Sobre o kit-gay sou completamente contra. Eu dou um pai dedicado a educação dos meus filhos há 12 anos, e a minha função na vida deles é justamente em transformá-lso em cidadãos responsáveis. Questões de tolerância e respeito não podem ser institucionalizadas, mas são sempre a reprodução da unidade familiar. Se a famílai é respeitosa e tolerante, mesmo que contra algo, a criança será assim. Da mesmo forma se for criada por pessoas intransigentes, grosserias e preconceituosas, não existe kit mudará os conceitos desta criança.

Acho que se a dita igreja realmente estivesse fazendo seu papel, visitando presídios, cuidando dos doentes, dando apoio a viúvas e orfãos, e evangelizando pela transformação de vidas e não pela agregação de membros, este assunto não estaria sendo tão discutido.

Abraços e mais uma vez, parabéns pelo blog, é uma das minhas fontes de reflexões e leituras preferida.

Patrícia Fonseca disse...

Olá,Marco!

Quero registrar minha satisfação ao te ler aqui,neste post.
Você deu voz ao que estava entalado em minha garganta e que provavelmente,eu não saberia escrever tão bem e claro.Entre tudo que venho lendo sobre o assunto,seu texto é um dos poucos em que posso contemplar sanidade,lucidez e coerência.
Muito grata por postar.
Sua opinião valeu muito!
Quando eu crescer,quiça possa me expressar e escrever com tamanha clareza e dignidade!
Contenho a emoção.
Com apreço de sua irmã em Cristo,
Patrícia.

Marco Alcantara disse...

Luciano muito obrigado por seu comentário que só fez acrescentar. Eu também como pai entendo que educação começa em casa e que devemos através do dialogo e não repressão educar nossos filhos. Creio que o preconceito só acaba quando iniciamos um bom relacionamento de amor no ambito de nossa familia. Não adianta leis ou kits se não houver orientação familiar sobre as questões que cercam nossos filhos. Afinal como pais somos o espelho.

Abraço!

Marco Alcantara disse...

Patricia Fonseca,

Ganhei meu dia. Minhas taxas de escritor frustrado cairam rs. Pessoas como você só fazem com que eu queira melhorar mais. Só fazem com que eu valoriza mais esse nosso mundo virtual.

Abraço!

Bianca disse...

Agradeço a Deus por encontrar pessoas que ainda pensam assim.
A questão aqui não é o homossexualismo, mas o amor acima de tudo.
Na verdade esse projeto de Lei não beneficia à nenhuma das partes, só aumenta ainda mais a tensão entre os 'envolvidos'. Também não sou favorável ao PL122, não pela questão cristã, mas por entender que esse projeto não vem, infelizmente, acrescentar em nada.
Abraços..

Paulo disse...

A forma truculenta com que a igreja evangélica de um modo geral tem tratado este assunto, criou um verdadeiro fosso entre evangélicos e homossexuais. Creio que devemos construir pontes, e não muros, para alcançar o maior número de pessoas (gays ou não) com o amor incomparável de Jesus. Infelizmente, depois de todo este imbróglio, com toda certeza está mais difícil um homossexual se achegar a Deus. Creio que neste episódio, a igreja serviu mais de pedra de tropeço, do que qualquer outra coisa. As pessoas estão confundindo "aceitação" com "aprovação", vocês não acham?

Wallison Santos disse...

Do jeito que o mundo vai, só o que resta é nos escandalizarmos com tais ações humanas. Não adianta lutar contra o que cada pessoa acha que é certo aquilo que é errado para a maioria. Por mais que uma pessoa viva regrada sobre o que é certo e o que é errado, quem vai decidir o certo e o errado na sua vida é ela própria. Resta-nos amar as pessoas assim como elas são, assim como JESUS nos ensinou. O futuro da vida desta pessoa está reservado somente a DEUS. Igreja não salva ninguém, e sim a santidade da pessoa, o quanto essa pessoa está separada desse mundo pervertido.

Gilson Tavares disse...

Penso que você traduziu o sentimento de milhões de brasileiros.
Talvez o problema não seja a criação de uma lei, mas o que está por trás dela, que é simplesmente tirar o direito de ser livre e de ter opinião própria.
Como contido no texto, agora será proibido não aceitar as idéias homofóbicas, logo será obrigado tê-las.

Marcelo Sousa (O Doido) disse...

A constituição já garante todos os direitos de TODOS OS CIDADÃOS, portanto acho que a PL122 é realmente uma manobra para agradar a minoria barulhenta dos homossexuais. Se eu sou criticado por ser gordo pode, se eu sou criticado por ser católico pode, se eu sou criticado por ser evangélico pode. Por que então não se pode criticar o comportamento homossexual? Isso só demonstra que eles não estão seguros de sua condição, pois se caso estivessem não se importariam com as críticas. A respeito do preconceito, ele é condenável, independente do tema abordado.
Sou hetero e se Deus permitir gostaria que meu filho também o fosse, mas caso acontecesse diferente eu nunca renegaria o sangue do meu sangue.
Quanto ao tal do kit gay, é mais uma prova de como o dinheiro público é literalmente queimado nas mãos de pessoas sem a mínima condição de gerir algo.

abraço

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