30 de mai de 2011

A Fim de que o Amor Encontre uma Base


Screwtape defende a impossibilidade do amor

ELE [o Inimigo] visa a uma contradição. Alega que as coisas sejam múltiplas, ainda que, de uma forma ou de outra, também sejam uma só.

O bem de alguém deve ser o bem de outro.

Ele chama de amor essa coisa francamente impossível de acontecer, essa mesma panacéia tediosa que se pode detectar em tudo que ele faz e, até mesmo, em tudo o que ele é – ou reivindica ser.

Portanto, o Inimigo não se contenta em ser uma simples unidade aritmética absoluta em si mesmo; ele reivindica ser um, e ao mesmo tempo, três, a fim de que essa bobagem sobre amor possa encontrar fundamento em sua própria natureza.

No entanto, ele apresenta em matéria aquela invenção obscena que é o organismo, em que as partes são pervertidas do seu destino natural de competição e feitas para cooperar.

O real motivo do Inimigo para se fixar no sexo como o método de reprodução entre os seres humanos é óbvio demais a partir do uso que ele lhe deu. O sexo bem que podia ter se tornado algo bastante inocente do nosso ponto de vista. Bem que podia ter se tornado uma maneira a mais, pela qual uma personalidade mais forte fizesse uma mais fraca de presa – do jeitinho que as coisas funcionam entre as aranhas: a noiva conclui as suas núpcias devorando o noivo.

Mas no caso dos seres humanos, o Inimigo teve gratuitamente associou a afeição entre as partes ao desejo sexual. Ele também fez os descendentes dependerem dos pais e deu aos pais a força de suportá-los – produzindo assim a Família, que é como um organismo, só que bem pior; porque os seus membros são mais distintos, ainda que unidos da forma mais consciente e responsável. Tudo isso, com efeito, constitui-se em simples expediente para que se efetivem as impulsões do amor.

– de The Screwtape Letters [Cartas do Diabo a seu Aprendiz] 1932 Lewis começa a escrever The Pilgrim’s Regress [O Regresso do Peregrino].

Retirado de Um Ano com C. S. Lewis ( Editora Ultimato, 2005)

2 comentários:

Luciano Santos disse...

Já tenho assunto para meditar durante um bom tempo hoje a noite... ótimo artigo!

Já faz algum tempo que quero ler este livro. Acho que agora eu realmente vou comprar, rs.

Marco Alcantara disse...

Compre que não irá se arrepender, mano.

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