28 de fev de 2012

Os “e se” e o Aprofundamento em Nossas Feridas



Estes dias estão sendo muito difíceis, pois perdi meu irmão caçula e a dor dessa perda é sufocante. Por mais que saibamos das nossas convicções de fé e da esperança de paz e encontro de descanso no Pai. Sempre tentamos esmiuçar a situação e pensamos nos “e se” e quando oramos interrogamos o nosso Pai em um ato de quem se sente desamparado pelo tamanho de sua perda.

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu clamor?

Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego. 

Salmos 22:1-2


Por mais forte que achamos que somos e convictos de nossa fé sempre nos encolhemos e nos despedaçamos em frente as nossas perdas. Não somos estéreis de lágrimas e muito menos de sentimentos e ter convicções de fé não é sinônimo de invulnerabilidade. Talvez muitos ensinem isso na visão do triunfalismo cristão que corre como enxurrada deixando escombros pela maioria das igrejas dos nossos dias.


Mas em momentos assim nos açoitamos com os “e se”...

“E se eu tivesse feito diferente, talvez tivesse ajudado.”
“E Se eu o tivesse convencido a fazer diferente”

Não importam as circunstancias da perda, mas questões como essa sempre rondam a nossa reflexão e é como pássaros que sobrevoam diversos lugares a busca de um ninho para pousar.

Agradeço ao nosso Pai por ter reformado a minha fé e me mantido no meio dessa dor na esperança que por mais que eu fizesse, por mais que existissem milhares de probabilidades não dependeria de mim. Como agradeço por Sua graça irresistível e de como só basta à semente plantada por Ele mesmo para que frutifique em amor. Como agradeço pela esperança de que mesmo sabendo que a morte é o nosso maior mistério e maior perda, ainda assim, não é o fim.

Sei das minhas responsabilidades e sei que muito desses “e se” que reflito faz parte da minha própria incapacidade e que se não pudermos lutar contra os infortúnios de nossa existência ainda podemos crescer para tal. O nosso Pai nos ensina com a vida, com a morte, com a saúde e com a dor.

Precisamos deixar os “e se” e nos aprofundarmos em nossas feridas e mergulharmos sem medo na dor, sem falsas expectativas, sem fortalezas erguidas na areia. Precisamos contemplar todos os momentos que o nosso Pai nos dá, inclusive nossos momentos de angústia.  "Não existe cruz de veludo."

O fato de nossas dores se revezarem faz que a vida seja suportável e nos momentos posteriores agradável. Toda angústia é tolerável quando percebemos o que fazer com ela.

Ainda precisaremos escancarar mais nossas feridas e só assim vamos nos despir da nossa arrogância e prepotência por que a morte e a vida nos mostram que não controlamos nada e que precisamos melhorar muito ainda para seguir em frente. Afinal, como diria Confúcio “quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?”

Portanto, não deixemos os “e se” nos ferir de uma maneira incurável e também não deixemos que dúvidas se cravem em nosso intimo e em nossas convicções. Dúvidas que só machucam ao invés de nos trazerem entendimento sobre a vida. Façamos das nossas feridas lugares visíveis e iluminados pela clareza de nossa fé e a singeleza de nossas esperanças.

E assim também descansaremos em paz não perdendo nosso tempo curto e valiosíssimo com martírio inútil, mas aproveitando de forma ilimitada o tempo que temos para declarar nosso amor a tudo e a todos. Por que  "o segredo do amor é maior que o segredo da morte”



Um comentário:

Roberto disse...

Meus pêsames.

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