2 de fev de 2007

Deus está morto?!?


Já ouviu falar daquele louco que acendeu uma lanterna numa clara manhã, correu para a praça do mercado e pôs-se a gritar incessantemente: "Eu procuro Deus! Eu Procuro Deus!"Como muitos dos que não acreditam em Deus estivessem justamente por ali naquele instante, ele provocou muita risadas...
"Onde está Deus", ele gritava. "Eu devo dizer-lhes. Nós o matamos -- vocês e eu. Todos somos assassinos... Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos..."
Friedrich Nietzche, Gaia Ciência (1882), parte 125

Quem disse “Ser ou não Ser” com certeza não foi Shakespeare, mas sim Hamelet. Da mesma forma não foi Nie (desculpe a falsa intimidade com o filósofo é que sempre escrevo o nome dele errado prefiro esse apelido carinhoso, rs). Mas sim um “louco” quem disse “Deus está morto”. A obra disse, a literatura disse não o escritor não o criador. Mas, a idéia disse por ser livre.

Então, o que o louco queria dizer? Não que existem "incrédulos" no mundo, pois isso sempre foi verdade; nem simplesmente que Deus não existe. Pois se "Deus está morto", então Ele deve ter vivido algum dia; mas isso é paradoxal, pois se Deus viveu alguma vez, Ele, sendo eterno, não poderia nunca morrer.
Esse louco não disse de um Deus que È sempre FOI e sempre SERÀ, mas de um Deus criado. Por que se ele o morreu nasceu, e se ele o existiu foi criado. Diferente do Deus que não existe por que não foi criado e que É o que É. O louco não queria dizer que não não existe e sim alertar que nós o matamos.


O Deus que o louco diz que morreu é o Deus da crença coletiva. É o Deus ensinado de uma tradição oral. É o Deus de fé alimentada por nossas próprias mãos cheias de idéias inspiradas e limitadas. Matamos Deus nos tornando a medida de todas as coisas até mesmo a medida e vontade do que Deus pensa e do que Deus É.


Nós, ocidentais, ao nos voltarmos cada vez mais para o natural, deixando de lado o sobrenatural, "matamos" o Deus de nossos ancestrais. Os incrédulos da estória de Nietzsche acham muito engraçado se procurar Deus; só o louco constata a terrível gravidade da morte de Deus. Não que ele a lamente; na verdade, ele a chama de "grande façanha", mas uma façanha provavelmente grande demais para nós, os assassinos, suportarmos. "Não deveríamos nós mesmos tornarmo-nos deuses simplesmente para parecermos dignos dela?"

Nie, na verdade, detestava especulações metafísicas sobre a inteligibilidade, natureza e existência (ou não existência) de abstrações sobrenaturais como "Deus". Ele podia ser indiferente a Deus, mas tinha muito a dizer sobre religião.

E, além disso, para Nietzsche, uma religião como o Cristianismo, a despeito dos ensinamentos de Jesus, perpetua a intolerância e o conformismo, o que ele achava especialmente repugnante. Tudo o que é velho, habitual, normativo ou dogmático, pensava ele, é contrário à vida e à dignidade; isso manifesta o que ele chamava de "mentalidade escrava". De certa forma, para que um homem ou uma mulher possa viver, ele ou ela tem que "matar" Deus -- tem que vencer o dogma, o conformismo, a superstição e o medo.

Este é primeiro passo para se tornar,
não um deus, mas um SUPERHOMEM.

Um comentário:

Éverton Vidal disse...

Muito bom Marco!!!!

Realmente o louco "Nie" (olha a familiaridade) é umdos caras (olha aí de novo rs) mais imcompreendido da filosofia, justamente porque para ler Nie é preciso lê-lo (sua história, sua caminhada) também.

Seu texto é muito bom.

Valeu!
Inté!

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