30 de set de 2011

Reflexões sobre Salmos [Parte 1]

*Estarei fazendo vários devocionais sobre o livro de salmos. Livro que sempre leio em meus momentos mais difíceis assim como em bons momentos. O livro de salmos contém além de fervorosos louvores ao Pai sentimentos humanos fervorosos também. Ou seja, o livro de salmo é um livro que expressa nossas dores, incredulidades, fraquezas e vitórias (Salmo 13, por exemplo).  Não sou teólogo nem mesmo pastor ou algo do gênero então não espere ler estudos ou pesquisas “profundas”, mas você irá ler algo que tem vida. Afinal, a Palavra é vida em nós na prática diária. Quero falar dos homens e seus sentimentos lançados sobre os Salmos e me indentificar com eles reconhecendo neles os mesmos sentimentos que estão em mim.


Acabo de ler o Salmo 51 e percebo que este Salmo conta sobre uma caminhada que parte do pecado para chegar ao reino da graça. Um Salmo que fala sobre um homem arrependido, que sempre tem o seu pecado diante de si, um homem obcecado pela culpa e um homem que clama pedindo por perdão: “purifica-me”, “lava-me” e que vê nisso passos largos para alegrar-se novamente.


Nosso sentimento de culpa sempre nos marca assim como o que fazemos marca quem nos rodeia. Talvez marcas profundas demais. Pensamos o que de tão horrível podemos fazer para essas marcas serem profundas, como se tivéssemos um medidor de erros ou uma balança para sabermos o peso de tais erros. 

Possa ser que seja assim mesmo. Temos aprendido por ai que pecado se mede e que existem processos e fórmulas para nos livrarmos deles. Aprendemos tantas técnicas e métodos que acabamos burocratizando o pedido de perdão, seja este pedido a Deus ou ao nosso próximo. 

Esquecemos que temos livre acesso e que não importa o tamanho dos nossos erros, a freqüência ou intensidade deles; o que é importa é a franqueza, o amor e a efervescência de nosso coração. 

Davi não busca processos em sua religião ou métodos sacrificais que possam ser equivalentes em sua mente ao seu pecado.  A Paz de Espírito transcende aos rituais e a alegria excede o culto.

O que resta de nós quando percebemos os erros que cometemos?

Se formos verdadeiros humanos e não zumbis filosóficos piedosos nos restarão apenas sentimentos como: tristeza, culpa, angustia, remorso e arrependimento.

Se tivermos consciência de nossos sentimentos e atitudes e não medo somente de ir para o inferno, perder bênçãos e interesses além da graça e da vontade de nos relacionarmos com o Pai e com nosso próximo conseguiremos lançar nossa consciência diante Dele para que ele possa criar algo totalmente novo. Um coração, novos sentimentos e relações mais sinceras.

Arrependimento não é uma tentativa de comover Deus ou dar-lhe algum sentimento humano para nos responder e sim expressar nossos sentimentos mais humanos e obscuros. O arrependimento consiste essencialmente em mudança de coração, mente e vontade que Deus soberanamente cria em nós.

Que esse arrependimento não seja um temor daquilo que possa acontecer conosco, mas sim que ele parta do desejo de caminhar em graça e principalmente de um relacionamento livre e vivo com Deus e o próximo.

Os que professam este arrependimento precisam praticá-lo naturalmente e não simplesmente proclamar a si mesmos como piedosos ou santos.

"Creio que a penitência cheia de pesar ainda existe, apesar de ultimamente não haver ouvido muito dela. Nos nossos dias as pessoas parecem se precipitar rapidamente na fé...Espero que meu velho amigo arrependimento não tenha morrido. Estou desesperadamente enamorado do arrependimento; ele parece ser o irmão gêmeo da fé". 
C. H. Spurgeon

4 comentários:

Luciano Santos disse...

Muito bom!

O reconhecimento do livre acesso ao pai, e o desapego a métricas, dogmas e métodos é essencial para o relacionamento com Deus. Afinal Davi que era um homem segundo o coração de Deus, era antes de tudo um pecador. A diferença era a disposição em reconhecer isso com sinceridade.

Waldir Martins disse...

Bacana! Gostei muito. O lance é realmente isto que voce falou o relacionamento com Deus precisa ser direto, expondo nossas fraquezas e contando com a grande misericórdia do Senhor.

Marco Alcantara disse...

Luciano acho que colocamos algumas condições e métodos mesmo para nos chegarmos a Deus.

Quando minha concepção de graça mudou sendo agora apenas graça por graça imerecida e irresistivel fiz um propósito com nosso Pai de independente dos meus erros e intensidades deles sempre irei me achegar a Ele e me expressar com aquilo que tenho de pior e de melhor sem pensar em palavras certas ou atitudes certas. Só penso em estar com Ele em oração e ser transparente.

Afinal, não importa o que tentamos esconder ou camuflar Ele conhece a gente melhor do que a gente mesmo.

Abraço!

Marco Alcantara disse...

Waldir,

Obrigado por seu comentário.

Abraço!

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