27 de abr de 2012

Os vacilantes, falhos e gananciosos homens que tentam barganhar com Deus


Por Marco Alcântara

Todos nós somos vacilantes e propícios a falhas, quedas e fracassos. A vida é um misto de vitórias e derrotas, embora que por um lado devemos encarar as derrotas mais como aprendizado e nos alegrarmos por algumas situações não saírem como planejamos. Afinal, a nossa premeditação é de visão limitada e fragilizada por nossa finitude e pouca ciência da vastidão das probabilidades do futuro e até mesmo do presente.  Sendo que, nunca entendemos o real sentido de “que todas as coisas colaboram para o bem daqueles que amam a Deus”, entendendo isso saberemos que não existem fracassos.

Normalmente não aceitamos bem as falhas, perdas e os tropeços e com isso tentamos racionalizar todos os acontecimentos que nos levaram ao fracasso. É claro que meditar nos tropeços e perdas reconhecendo-os, nos leva a um aprendizado maior, a meditação é semelhante ao regar uma planta, faz aparecer os frutos da graça, mas também é comum não partirmos desse principio.  Comumente nos lançamos ao caminho aparentemente mais fácil, tentamos barganhar com Deus.

Procuramos usar os meios de graça como meios de troca de favores com Deus.






Partimos do principio de que se algo não saiu da maneira como planejamos é por que não nos santificamos o suficiente, não dizimamos e ofertamos, não fomos à igreja, o nosso ativismo eclesiástico não tem sido tão intenso como deveria, e outras tantas situações que nos colocamos, acreditando que essas iniciativas irão mudar o coração de Deus ao nosso favor.

Não devemos confundir nosso dever, chamado e ministérios com favores a Deus para sermos privilegiados. 


A vida cristã em si mesma já é graciosamente e imerecidamente um estado de subserviência ao nosso Pai Celeste. O que recebemos de Deus, nós recebemos por meio de graça, por meio de amor incondicional e de iniciativa unilateral Dele.

É claro que fomos criados em Cristo para boas obras, as quais Deus previamente preparou para que andássemos por elas. Mais claro ainda é que se orarmos, nós seremos abençoados, mas oramos sobre qual principio? Para apenas sermos prósperos, termos destaque, termos êxitos em tudo que façamos? O que nos motiva a servir a Deus? O que nos motiva a orar? Qual tem sido o principio de nossa vida cristã? O que nos motiva ir à igreja, trabalhar por ela, ofertar, viver em comunhão com Deus e com a comunidade? O que impulsiona a nossa fé?

Nossos êxitos como cristão são conseqüências de vivermos no Reino e não motivações para fazermos parte desse Reino. 


Buscamos esse reino por que ouvimos o chamado de Deus e não por que Deus será mais Deus se nós o servirmos para conquistar algum tipo de beneficio.

Se olharmos a história das pessoas que viveram o Reino de Deus no passado, veremos mártires, homens e mulheres que ouviram o real chamado da cruz. O chamado de sucessão e continuidade do ministério de Cristo, um chamado de tribulações, aflições e de cruz também.

Sendo, nossos princípios de fé debruçados sobre princípios de egoísmo, ganância e este triunfalismo entronizado nas comunidades cristãs atuais iremos apenas vivenciar nosso individualismo e não a comunhão com nosso Pai.

Devemos partir do principio de que nosso Pai é suficientemente Deus sem nós e o que recebemos Dele recebemos imerecidamente através de sua irresistível e maravilhosa graça.
Portanto: Negue-se, siga-O e ame plenamente!

3 comentários:

Thais Rodrigues disse...

Um tapa na cara. Um mega chacoalhao. Q egoísmo eh esse??? Onde pararemos com ele?

Vince K disse...

Fala Marco
Depois de séculos, uma passadinha.

Não li todos os teus textos, mas nos que li, notei uma necessidade de "salvar" a igreja.
Como sabe, e até para ser bem honesto, para mim, qualquer nuance de divindade para mim esvaneceu completamente, principalmente depois que me tornei pai e vi a "alma" de meu filho se formando de acordo com as influências do meio que vive.
Mas ok, tua visão é diferente e não venho aqui comparar ou convencer. Apenas questionar.
Entendi que o texto fala sobre a barganha, o tal "sigo para ir ao paraiso ou obedeço para não arder no inferno". Já sabe como eu pensava.
Mas tudo bem, dentro desse contexto, entendo tua intenção. Mas...
Ainda que fosse possível tornar as pessoas entregues completamente a esse ideal, qual a finalidade? Penso que não seja repetir o que tiveram os que assim fizeram, a saber, terminar com uma morte horrível.
O que quero dizer é: Mesmo que haja algo após essa vida, essa real aqui e agora, esse algo não seria continuidade do que somos?
Se a gente se nega, o que podemos oferecer. Se apenas seguimos, o que temos a oferecer?
Qual o problema em se amar, se aceitar, querer o melhor para si? Isso não nos dá, além de outras coisas, a noção básica da Justiça?
Qual o valor de um reino que valoriza a submissão?

Vince K disse...

PS: Não conheço nenhum lider religioso que se entrega sem barganhar. E incluo pessoas como Chico Xavier e Jesus Cristo.
Reconhecimento, submissão, admiração, são algumas das recompensas a se barganhar.

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