Sou usuário assíduo do “tuiter” e com isso sempre recebo “tuitadas” para dar RT no que diz respeito a PL122. Sempre pedem para que eu assine algum abaixo assinado, ou perguntam se eu sou a favor da nova lei (que ainda não foi votada).
O assunto tem sido constante, sempre me pronunciei com poucos “tuites” sobre a questão que para mim era banal até algum tempo atrás. Para muitos eu estava em cima do muro sobre a questão, mas não. Acreditei que estas questões seguiriam seu curso normal seriam votadas e se aprovadas não mudariam em nada o meu cotidiano ou a estrutura da minha família. Afinal, crio meu filho para ser homem, não machão nem especificamente para ser hetero ou homossexual. Eu o crio para ser homem que apregoa o bem e o amor a toda criatura sem exclusões, pois foi essa educação que eu tive.
Mas eu seria hipócrita se dissesse que não ficaria contrariado com um filho homossexual. Afinal, que pai não se projeta no filho. Sou hetero, corinthiano e um “gordo deitão” (que o diga minha esposa) e é mais do que óbvio que vou influenciá-lo com a própria vida que levo junto a ele. Mas tenham certeza que amaria meu filho sobre qualquer circunstancia; até mesmo se ele se tornasse um “gordo deitão” igual a mim.
- União Homoafetiva
Como crentes somos contra a institucionalização do pecado, mas a favor da santificação do preconceito.
O problema todo é que os religiosos vêem-se como uma classe de pessoas superiores, olhando o mundo de cima para baixo. Homossexuais não são uma classe de pessoas abaixo dos heteros, por isso devem ter os mesmos direitos civis. Para usar um termo mais popular digo que o casamento gay é um direito que o estado dá e que é útil afinal eles precisam apenas de reconhecimento civil de seus direitos, segurança nas questões de herança e direito familiar. É um direito de cidadãos.
- PL122
Até certo momento eu cria ser interessante e somente uma paranóia gospel esse medo e barulho todo em torno dela. Pois é, até então seu maior opositor era o Silas Malafaia com suas contradições; um homem sem moral cristã guiado pela ganância que o fez defensor da moral cristã centralizada no âmbito sexual. Com esse tipo de representante tipificado nos deputados que o povo gospel votou era mais do que claro que essa militância anti-homossexuais, não me chamaria à atenção a não ser que fosse para rir das esperanças despedaçadas, depositadas nos púlpitos que serviram de palanque nas eleições recentes.
Aliás, a PL122 só serviu de chavão político para os dois lados e é o que vejo sobre o dilema e sua votação. Mais briga política sem moral do que qualquer outra coisa que nos leve a querelas morais.
A militância gay me fez repensar algumas coisas. Pois para mim eles se atropelaram em si mesmos e na ânsia de quererem se impor, como fazem os seguidores de Bolsonaro e Malafaia. Ou seja, se querem respeito por que não respeitar antes ou vamos criar uma “guerrinha de direitos”.
Qual é o objetivo de um “beijaço gay” nas escadarias de uma Igreja católica em Florianópolis? Chocar por chocar? Provocar? Promover o quê? Reações? Quais reações?
Nesse caso tenho então que concordar com o Arnaldo Jabor quando ele diz que: "Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal. Eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório."
Não gosto de crentes proselitistas ou simplesmente chatos, eu não gostaria de ver os crentes com cartazes dentro das baladas freqüentadas por gays com cartazes impertinentes e incômodos lançando todos ao inferno.
Enfim, é mais fácil criar uma lei que protege uma minoria do que educar uma maioria. Aliás é mais fácil e mais rápido. Educação leva tempo e dinheiro.
- Kit Gay
Falando em educação eu não gostei dos vídeos que eu vi no “você tuba”. Não educa, impõe. Em minha opinião que para muita gente não vale nada, mas que para alguns sei que vale alguma coisa penso que, seria muito mais educativo se mostrassem testemunho de pessoas que sofreram bullyng ou que simplesmente foram rechaçadas por serem gays.
Investiram três milhões em um material que não será usado. Testemunhos, palestras ou fórum de discussões custariam mais barato e, com efeito, bem melhor.
Contudo, não podemos imputar consciência nas massas através de leis. Podemos apenas pela "força" da lei exigir respeito que no intimo não existe. Ou seja, a PL122 é só uma propaganda eleitoral um meio politicamente correto de não fazer o que realmente deve ser feito.
A relação cotidiana com o diferente foi o maior remédio contra meus preconceitos. Estas leis propõem um escudo e talvez um distanciamento ou um respeito por imposição e não por ação.
É bem fácil amar o que é comum a nós mesmos. Difícil é amar o diferente, o que te agride com indecência de ser ele mesmo. O Amor tudo suporta; até mesmo convicções distintas das nossas.
Não gosto da PL122 por minha própria ideologia política e social e não por que creio que essa lei vai acabar com a família. Por muitos anos a igreja só se preocupou com masturbações alheias, politicagem e apropriação de rendas. Enquanto isso o mundo lá fora piorava. Não creio nessa igreja que agora no último instante pelos holofotes das mídias quer salvar a moral cristã.
O que vou fazer a respeito destas discussões? Vou relaxar e deixar a vida seguir seu curso e mostrar com o tempo onde temos errado como sociedade, igreja e como pessoas. Portanto, se você crê no pecado homossexual não se preocupe as leis do Reino da Graça não são as leis decididas pelo STF.
A única lei do Reino da Graça é o Amor sobre todas as pessoas sem acepções étnicas ou mesmo de orientação sexuais.