Mostrando postagens com marcador sexta-feira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sexta-feira. Mostrar todas as postagens

6 de ago. de 2011

A Descoberta de um Deus de Todos - Parte I



"Penso que toda oração feita com sinceridade, até mesmo a um falso deus ou a um Deus verdadeiramente mal concebido, é aceita pelo Deus verdadeiro e que Cristo salva muitos que nem pensam que O conhecem"

C.S. Lewis

1 de jun. de 2011

A Igreja dos Fracassados e Imorais


A igreja que não aceita pessoas falhas e o fato que deve existir em favor delas nega explicitamente o evangelho da graça.

Tal igreja excludente não merece nem a misericórdia de Deus, nem a confiança dos homens.

A igreja deve ser consciente que sua fé é fraca, que não tem todas as respostas em si mesma, que recua e se isola do mundo quando lhe convém, que sua indiferença a torna culpada de um modo ou de outro de todas as injustiças sofridas e cometidas pelos homens.


Mesmo sendo verdade que a igreja deve se separar da perversidade ela nunca poderá oferecer qualquer respaldo ou pretexto para a supressão e distanciamento de qualquer homem ou mulher.

A igreja que ostenta sua hipocrisia perante os homens fracassados, daqueles que perderam sua fé e imorais não será justificada no Reino, por que esta apartada da graça.

Contudo a igreja que se esvaziar do preconceito discernindo os seus cômodos fracassos, distinguindo suas imperfeições e se mortificar em favor dos esquecidos. Será conhecida como verdadeira igreja do Reino de Deus.

A esta igreja fracassada, humilhada e imoral é dada a promessa de que será enlevada na verdade e justiça do Pai.

A igreja onde não se inclui e abriga excluídos morais e sociais não compreende sua própria identidade e o propósito da sua existência, sendo gritante o seu erro de rejeitar as pessoas que Cristo aceita.

A igreja que não ajunta espalha quando exclui os profanos e miseráveis aceitos pela graça, quando decreta sentenças duras, censuradoras e implacáveis, quando determina a comunhão da ceia só para alguns, quando nega o batismo em desconfiança a confissão de fé do individuo, quando nega a participação no evangelho por supressão e anteposição moral.


Desse modo estamos estabelecendo um jeito totalmente profano e indigno de se preocupar com as obras.

Portanto a igreja só irá progredir na verdade quando compreender de fato que um santo não é alguém bom e de boa aparência e sim um miserável, fracassado e imoral que experimenta diariamente a bondade e a graça de Deus sem nunca ter merecido.

12 de mai. de 2011

A Verdade Vos Libertará !


"O fingimento não serve para nada. Uma máscara que é facilmente arrancada do rosto engana a poucos." (Sêneca)

Fingimento é atitude inata do individuo que vive em sociedade. Quem já não fingiu um sentimento ou uma atitude para com o próximo?

Eu confesso que já.

Quando um velho amigo de infância lhe encontra na rua de passagem e pergunta “como você vai?” ele não espera que você conte tudo que de ruim e bom aconteceu em sua vida estes dias. È claro que seu amigo somente está cumprindo uma convenção social e espera mesmo que inconscientemente que você diga um simples “tudo bem” e siga o seu caminho.

Os protocolos sociais que são comuns no nosso dia-a-dia são a real constatação da nossa natureza fingida.



Não seria duro demais pensar que a nossa sociedade é um hospício temporário de loucos fingidos onde ninguém assume uma atitude franca sem ser franco atirador?

A vida social tem seus protocolos a serem cumpridos e não consigo imaginar a igreja em nenhuma localidade no mundo ou por liturgia que seja que consiga fugir do fingimento inato do individuo que se presta ao convívio social.

Ou podemos fingir que a igreja fuja disso e criarmos uma ficção particular de amor regrado.

O religioso em sua maioria toma a decisão de fingir que todas as coisas que até então haviam entrado em sua mente não eram mais verdadeiras do que as ilusões dos seus próprios sonhos. Esquecendo que tudo Deus criou e tudo é de Deus, inclusive as coisas que ele viveu, vive e viverá fora de sua religião.


Outro ponto é dos que aderem a uma religião meramente para se socializar. E mesmo os que aderem por deveras outros motivos uma hora cedem a esses protocolos e logo se vêem num hospício dirigido por clérigos.

É visível que os que falam com clareza e honestidade são separados e obrigados a caminharem à margem da sociedade. Barreiras são criadas e quando são insistentes são exilados em hospícios para os sãos de caráter.

Os desgarrados dos protocolos sociais vêem o fingimento como algo ruim, mas não podem negar que ele é uma grande muleta e dá apoio mútuo a quem se une em volta de um objetivo social mesmo que seja uma vida em falsa comunhão.

Pois mesmo que temamos a dureza da verdade em sociedade ela dita com amor é sempre bem vinda e bendita e a mais pura verdade dita com rancor e irreflexão só originara amargura e desgosto.



Um dia a verdade sem grilhões vai entrar na igreja, na escola, passear pelas ruas e entrando nas casas e em todas as coisas vencerá o fingimento.



30 de jul. de 2010

Zumbis Filosóficos Piedosos

Por Marco Alcantara

Só de mencionar a palavra zumbi imaginamos aquelas criaturas famintas por cérebros no melhor estilo criado por George Romero e visto no fabuloso filme Madrugada dos Mortos (o original claro) que assisti três vezes. =D

Mas o zumbi filosófico ou p-zombie como também é conhecido é um ser hipotético, ou seja, um ser idêntico ao ser humano normal se não fosse pela inexistência da experiência consciente. Imagina-se que quando um zumbi filosófico sinta dor ele realmente não a sente apenas reage pela ação da causa. Essa é uma reação inconsciente e somente casual.

O argumento dos zumbis surgiu em 1974 em um artigo de Robert Kirk, mas foi com o livro The Conscious Mind (1996), de David Chalmers, que ele ganha um papel de destaque dentro da filosofia da mente.

Existem indivíduos que se tornaram perfeitos zumbis, isso ocorre pelo fato de aprenderem algo de outro, e tomarem esse algo como uma verdade motivadora, automática e única, assim sendo é indiscutível os termos dessa verdade. Vêem que aquilo é “tão certo” e “confiável” que perderam a vontade própria ou a consciência para agir por si mesmos e assim agem através de um adestramento ou condicionamento mental.

Imagine uma pessoa fazendo algo sem amor, sem paixão ou simplesmente sem alma. Tomando atitudes por que simplesmente disseram que era assim e pronto. Não existe nada de bom ou correto nisso. Fazer qualquer coisa unicamente para sentir o “dever cumprido” não é bom, ou fazer o bem para o bem próprio ou mesmo para que outros te aplaudam. É também um modo de agir bem abrangendo o mal.

Como um zumbi sem consciência estes outros seres condicionados pelas recomendações de outros só tem as reações casuais. Se fizerem alguma coisa boa será somente dentro do mesmo patamar de outros zumbis, e nunca será nada surpreendente, novo e apaixonante de se ver, pois não existe amor nisso ou consciência do que se está fazendo.

"Dentro das religiões existe uma bondade enlatada, mascarada e tacanha."

Nossos atos e os resultados destes atos, os feitos, nos revelam o que somos, fazem aparecer ao observador nossa "natureza", nossa maneira de ser. Tal expressão nos reduz àquilo que somos de fato. Se nos nossos atos existe paixão, amor e graça de verdade não aquilo que é transmitido, ensinado ou orquestrado por outras pessoas, os que nos observam em todo canto sentirão isso e nisso terão dentro deles o efeito e a causa da mesma paixão, do mesmo amor e da mesma graça.

Que venhamos a ter uma vontade de refletir sobre o que fazemos mesmo que a principio para nós mesmos e para todo mundo esse ato seja bom. Caso contrário seremos zumbis, autômatos, alienados, condicionados e burocráticos com a nossa vida e as vidas carentes do nosso melhor.

A consciência é o órgão pelo qual o homem tem contato com o mundo exterior, com o mundo interior e principalmente têm consciência de si mesmo como ser humano capaz de decidir, por si, seus atos.

"Se fugirmos deste princípio natural de viver, seremos anormais em nossa forma de agir, seremos contrários à nossa natureza regenerada, ou seja, o novo homem que habita em nós se move através de uma consciência livre de regras, dogmas e leis humanas que só servem para gerar morte."

E agindo pelas regras, dogmas e leis humanas seremos zumbis piedosos geradores de morte. Iguais ao filme viveremos na fixação de cumprir as nossas obrigações morais no lugar de comer miolos.

23 de jul. de 2010

A Festa de Babette

Na desolada costa da Dinamarca vivem Martina e Philippa, as belas filhas de um devoto pastor protestante que prega a salvação através da renúncia. As irmãs sacrificam suas paixões da juventude em nome da fé e das obrigações, e mesmo muitos anos depois da morte do pai, elas mantêm vivos seus ensinamentos entre os habitantes da cidade. Babette refugia-se da guerra que assombra a França, na casa das recatadas solteironas Martina e Philippa filhas do então falecido pastor e mentor do lugarejo.

Aos poucos, seus dotes culinários invadem a alimentação insípida que se caracteriza na rotina dos habitantes, até que um fato inesperado lhe propicia oferecer um jantar, que sutilmente vai conquistando o paladar dos convidados.

A Festa de Babette é o desabrochar da alma, na descoberta do prazer sem culpa. Sua festa, é claro, escandaliza os mais velhos do lugar. Quem é esta surpreendentemente talentosa Babette, que tem apavorado os moradores desta devota cidade com a perspectiva deles perderem suas almas por deleitarem-se com prazeres terrenos?

Babette estava em um lugar onde se via pecado em tudo onde a graça se tornou desgraça pelo fato de não haver mais gosto pela vida.

A vida naquele lugar agora era só uma pena, um martírio passageiro para um plano maior; o céu. Os rostos eram rígidos as passadas pesadas, rancor entre pessoas e brigas que não eram declaradas e assim também não eram perdoadas. Por que a ofensa que não foi revelada também não pode ser perdoada.

Mas Babette que quando criava seus pratos fora comparada a uma bruxa e realmente fez algo inusitado trouxe o melhor vinho transformando rostos enrugados em rostos sorridentes, no jantar também havia sopa de tartaruga que trouxe calor e paixão a todos da mesa.

Nesse instante pessoas se regalavam e pedidos de desculpa foram feitos o auge da festa foi a alegria de poder saborear a vida.

Uma vida saborosa que agora seria degustada sem traumas, pressões ou neuras. Os prazeres simples da vida não iriam mais ser negados, o prazer de comer bem de beber bem na companhia de seus melhores amigos. Não haveria mais a burocracia do perdão e muito menos a inércia do amor, por que todos compartilhavam do mesmo momento de prazer.

Prazer que não pode ser deixado de lado como o prazer de estar e beber entre amigos, comer e contar a sua vida de forma simples e compartilhar da sua vida em detalhes de forma aberta na clareza da informalidade.

Assim Babette mostra que a graça esta nas pequenas coisas, que a graça não é monopólio de um culto, uma religião ou somente um grupo de pessoas destinadas a viver com graça.

A graça acontece em uma mesa de jantar entre pessoas que só querem ser pessoas e não autômatos programados para negar o dom da vida.

A graça é encontra na piada da mesa de jantar, também se encontra graça no pão da mesa em cada dia que não falta, encontra-se graça no abraço do amigo, encontra-se graça agora aqui e em todo lugar pode-se encontrar graça.

A graça não pode ser domada e podemos entender que ter graça não significa de fato ser mais amado por Deus.

"Afinal não há nada no mundo que possamos fazer para que Deus nos ame mais e também não há nada que se faça na vida para que Deus nos ame menos."

Havia graça no jantar de uma mulher que não foi desgraçada pelas normas e apelos em não agraciar-se com a vida.



***Impressões da "Maravilhosa Graça"

27 de jun. de 2010

Eu Não Evangelizo !


Se evangelizar é encontrar uma pessoa na rua e com toda cara de pau dizer "Jesus te ama" e dar as costas, eu não evangelizo.

Se evangelizar é tocar hino nas praças e ir para casa se achando o máximo, eu não evangelizo.

Se evangelizar é ir numa marcha para fazer propaganda de igreja e cantores, eu não evangelizo.

Se evangelizar servir para arrastar pessoas para igreja quando tem festinhas com comida e montar esquemas para ela se sentir bem-vinda somente naquele momento, eu não evangelizo.

Se evangelizar é entregar folhetos que serão jogados no chão e criará mais sujeira nas ruas, eu não evangelizo.
Se evangelizar é pregar com base para embutir culpa nas pessoas bombardeando-as com idéias de pecado e conseqüentemente o inferno para os maus e céu para os bons, eu não evangelizo.
Se evangelizar é convencer as pessoas a se protegerem do mundo dentro de uma igreja que acaba se tornando um bunker contra toda guerra espiritual e ofensivas do diabo, eu não evangelizo.
Se evangelizar é sistematizar o Evangelho, eu não evangelizo.

Agora se evangelizar é caminhar junto, estar presente na vida das pessoas, ser ombro amigo, chorar e rir em vários momentos, então eu creio que eu evangelizo.
Afinal entendo que o maior evangelismo de Cristo, foi estar ao lado, foi comer junto e presenciar toda a aflição e alegria do teu próximo.
Creio que evangelizar é sinônimo de relacionamento. O verdadeiro evangelho não é feito de seguidores e sim de amigos.

Portanto, se evangelizar é partilhar o pão nosso de cada dia, eu evangelizo.

18 de jun. de 2010

Cristo no Mundo

*Eugene de Blaas
Por Marco Alcantara

Não creio que Cristo deva ser tocado ou visto para que eu venha à ser santo. Como é ensinado nas igrejas adoradoras-ordinárias-extravagantes por ai.

Não preciso de um TÓTEM santo como cetro de justiça preciso de um exemplo além do ser.

Preciso do caminho no mundo, nas pessoas que são o mundo agindo e interagindo com elas numa fé consumada sim por Ele Cristo na cruz. Foi consumada lá e a cruz foi o ponto de partida por toda extensão de tempo do que foi, daquilo que é e do que há por vir.

Se eu usar Cristo como meu ponto de adoração contínua e incessante de forma inerte sem experiências a todo tempo vou colocá-lo num ponto único e imóvel no tempo. Assim Cristo se torna um TOTEM imóvel por que não há experiências no mundo e com as pessoas que estão no mundo e que são o mundo.

Cristo é consumador da fé e ele é itinerante no tempo e se manifesta a toda a criação. Um ato bom ao próximo é um ato santo. E um ato bom a si mesmo buscando o virtuosismo é um ato bom a Deus.

Ler a bíblia e orar não é ser santo. Viver no mundo cheio de pessoas que não amam e amando todas é ser santo. Por que elas espelham a semelhança de Deus e Cristo esta nelas não parado como TÓTEM dentro da igreja ESPERANDO adoração. Creio que biblia e a oração são ferramentes de aprendizagem, como um lápis e um caderno. Só que melhor é a prática.
Como eu disse a biblia e a oração são ferramentas. Assim sendo são usuais. E não a fonte essência única da fé. Sendo que a fé é inata e consumada por Cristo.

E através da fé consumada somos santos em Cristo. A fé que vem por ouvir precisa ser dita em interação com o outro que a expressa. No isolamento não há expressão e inspiração de fé.
Em um ambiente que somente se "adora" não tem expressão. A fé e as obras de alguns. São do não faça isso ou aquilo.
"Isole-se determine-se a não faltar aos cultos, leia a biblia e execute sua programação para ESCALADA ao topo dos mais santificados."

Não se pára para ouvir. Creio em Cristo, mas em um intinerante que se manifesta em tudo e todos.
A manifestação da fé é debruçada no mundo e todos os que são o mundo. Fazendo obras boas no amor e graça assim a fé é consumada e toda obra de santidade também é.


11 de jun. de 2010

Quanto vale a Alma do João?

Por Marco Alcantara

Já ouvi muitas vezes que uma alma vale mais que o mundo inteiro, também ouvi muitos “Jesus Te Ama” por ai, mas quanto será que vale a alma do João?

Antes que me responda que não tem preço e que Jesus o quer de qualquer maneira de acordo com o discurso evangelizador padrão, deixe que eu diga quem é o João.

João está preso hoje e só cumprirá alguns anos de reclusão por seus crimes. João sodomizou 17 crianças matou nove e o restante adquiriu o vírus do HIV (AIDS). João também era praticante de alguns atos canibais. Pense algumas crianças nunca se recuperarão dos seus traumas, assim como pais que almejavam um futuro para seus filhos estão agora inconsoláveis.

João é execrável para qualquer pessoa que tenha sangue quente nas veias. Hoje ele é estuprado, agredido e punido constantemente por todos os outros companheiros de presídio. Se isso é a justiça que lhe cabe não sei.

Uma vez João foi entrevistado e o repórter não conseguia esconder sua revolta e até mesmo o nojo perante João. Numa das respostas João disse que quando criança freqüentava uma pequena igreja onde não se via mulheres de roupas justas, homens na maioria de terno e vários outros costumes e tradições que se mantinham. Mas mesmo na igreja ele sentia o desejo por sexo com outros garotos de sua idade. Mas como tinha certeza e como era pregado maciçamente que o sexo era pecado e o não ao sexo era à base de toda santidade que um dia ele poderia sonhar ter ele ficou envergonhado de falar sobre com qualquer membro da igreja.

Ele tinha certeza que toda a sua libido sexual iria passar com o tempo, mas não passou, só cresceu e se deformou.

Ele sabia que se falasse abertamente sobre sexo na igreja logo seria repreendido com um sonoro “isso é pecado”, mas o porquê de ser pecado ele nunca iria saber. Seria igual a uma criança teimosa que somente ouve um não para os dedos que quer colocar na tomada, mas nunca sabe o porquê do não. Nunca saberia se realmente aquilo seria mal para ele ou se existiria um meio termo só sabia que existia um não e aquele não parecia mais um desafio para ser ultrapassado do que uma preocupação verdadeira com ele. O não era uma fronteira assim como o pecado sem por que. Uma fronteira que ele queria ultrapassar para simplesmente saber o que havia do outro lado.

As proibições inexplicáveis tomaram uma forma negativa em sua mente. Ele sabia que se conversasse com quem quer que fosse com certeza fariam com que ele se sentisse pior. Seria condenado a orar como se fosse um castigo dos seus pecados ou por pensar em pecar, seria agressivamente instigado a saber que Jesus o ama que vai limpa-lo, seria orientado a deixar o louvor de sua igreja e todos os cargos que ele cumpria com prazer de servir. Sabia que não seria entendido e se fosse ouvido todo entendimento seria distorcido por mentes puritanas que só faria com que pesasse mais o que lhe atormentava.

João só conhecia um lugar de crime e castigo ou de bondade e recompensa. Sabia que existia um céu para os bons e que os meninos maus iriam para o inferno. Sabia dos apontamentos, sabia de como seria olhado de forma diferente, sabia que a preocupação maior era de ter mais membros, de cantar melhor os hinos, de arrecadar mais dizimos e assim mostrar o crescimento de sua igreja para todo o seu bairro. Mas não sabia como nesse sistema ele cresceria também.

João foi além do desejo viu a fronteira e atravessou foi adiante e viu mais fronteiras atravessou uma por uma só pelo desejo de ver onde iria parar por que nunca soube por que parar.

E depois de toda sua entrevista e de todos os horrores confessos João pergunta:

_ Quanto vale minha alma?

4 de jun. de 2010

Deus Livra-me dos Seus Seguidores

Óleo em tela de Eugene de Blaas

Por Marco Alcantara

Deus livra-me dos seus seguidores por que são estranhos devido as suas atitudes contra o mundo que é o lar de pessoas que eles mesmos foram instigados a amar.

Deus livra-me dos seus seguidores irracionalmente emotivos, eles só te seguem como algo que nunca entendem. Sem motivo, razão e circunstância nas coisas que você faz, e com eles trazem a “apaixonite” irritante que os deixam alienados. Essa alienação destes seguidores muitas vezes faz com que eles cometam crimes contra seu próximo ou a si mesmo transformando a graça em desgraça.

Deus livra-me dos seus seguidores que se sentem merecedores do Teu Reino, como se isso fosse um presente dado a eles, uma recompensa por suas boas obras de acordo com uma conduta decorada e condicionada.

Deus livra-me dos seus seguidores que entendem que se eles forem bons seguidores de todas as vírgulas, pontos, exclamações das regras e determinações contidas na lei caduca mal interpretada velha testamentária serão abençoados por você se sentir em débito com eles.

Deus livra-me dos seus seguidores amantes compulsivos das regras eclesiásticas que mesmo não fazendo sentido algum as seguem. Regras que são ditaduras impostas por outros seguidores mais gananciosos, mas que se elevaram como sacerdotes de seus seguidores mais medíocres e instigam que estas regras criadas por eles devem ser cumpridas ao pé da letra com exímio fervor.

Deus livra-me dos seus seguidores que sobrevivem de bajulações e de sacrifícios de santidade. Santidade deturpada que somente os separam da vida e para criarem redomas em volta de si, fazendo com que se isolem de toda a criação que não compactua com a mesma loucura.

Deus livra-me de seus seguidores que tem frases prontas e decoradas passadas de um para o outro numa tradição oral sem sentido. Esses seguidores não têm inspiração para coisas novas ou para pensar por si mesmos e a impressão que fica é de que existe o medo de errar o discurso e falhar na missão de convencer pelo cansaço das mesmas ladainhas.

Deus livra-me de seus seguidores, pois eles não sabem o que fazem e muito menos querem um dia descobrir o que fazer. Nunca vão querer construir um aprendizado e sim somente cumprir o script de um bom seguidor alienado, medroso e frustrado.

Nota: Republicação do texto de 2008 que conta com a percepção do leitor de que há uma grande diferença entre discipulos e seguidores.

28 de mai. de 2010

Fé Sincera

O que é uma fé sincera? Seria a fé padronizada dentro de uma conduta pré-estabelecida dentro do próprio cristianismo?

Seria a fé somente sincera se fosse declarada e vivida de acordo com o que diz todo aquele que vive uma religião, ou até mesmo ditada pelos ensinos de seus líderes?

Não creio que seja assim.

Creio que a fé é sincera quando é movida pela consciência pessoal, única e desprovida do que se ouve como concreto. Mas firme na espera das coisas que não se vê e muito menos se ouve da boca daqueles que determinam em que se crer.

A fé movida pela consciência é uma virtude que todo cristão deveria ter, sua motivação em relação à consciência deve ser firme e constante até o fim, afinal essa é uma prática do bem; agir pela consciência.

Ao lermos a carta do Apóstolo São Paulo aos gálatas, entende-se com clareza sua preocupação com os cristãos que ainda viviam presos nos atos sacrificais e ritualísticos da antiga religião judaica.

Aqueles que se converteram ao cristianismo estavam envolvidos na atmosfera de cegueira religiosa judaica, que tinha por característica principal o seu lado simbólico e ritualístico de ser.

Não diferente dos dias de hoje em que, na sua maioria, os cristãos vivem sob influência de leis e não são movidos por sua consciência.
O Apóstolo São Paulo vendo isso escreveu o seguinte pensamento em Gálatas 5:25 "Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito”.

Nesta situação vemos a questão inteligível do Espírito, ele está intimamente relacionado com o movimento viver e andar no Espírito, segundo o texto do Apóstolo São Paulo relaciona-se com o mover da razão em si mesma.

O Espírito em sua essência é livre, e a razão uma vez regenerada não pode se prender as paixões dogmatizadas das formas religiosas.


21 de mai. de 2010

Fé Raciocinada

Disseram-me que para ter fé é preciso abrir mão da inteligência e simplesmente não concordo e nunca vou concordar, pois entendo que crer é um ato pensado (ou pelo menos deveria ser).

Para ter fé não creio que eu deva me desconectar do meu intelecto até o ponto de entrar em transe ou simplesmente abrir mão de qualquer conhecimento que exista no mundo seja ele filosófico, teológico ou proveniente de uma ciência exata qualquer.

Fé é a busca da racionalidade entre coisas que não se vê, mas são conscientes e ponderáveis bem diferentes da loucura, emoção e comoção. E até mesmo alienação.

Mas quem prega a não-inteligência da cristandade prega também as loucuras em nome de Deus e o achismo como revelação espiritual.

Nisso ocasiona-se a morte espiritual de toda uma nação e a fé idiotizante impera. E com isso muitos se protegem da ciência pregando a desinformação como arma apologética.

Mistificamos a ciência e tentamos dar a fé ares de pseudociência para nos sentirmos protegidos de toda linha cientifica, que segundo as “vítimas cristãs” contradiz a bíblia.

Adotamos o criacionismo científico que fugiu da ciência faz tempo e abraçou a especulação sem ter vergonha de cair no ridículo.
Parece que muitos pregam a “ciênciofobia” enquanto do outro lado da moeda existe a “religiofobia”.

Onde foram parar os dinossauros? A ciência explica com clareza e razão, enquanto os que declaram viver por fé tomam duas posturas distintas; ignoram o fato ou mistificam o fato para que ele encaixe apertadinho em sua fé.

Entre estudos apologéticos acalorados e sem razão e frases crentes decoradas o mundo sofre e o homem continua confuso em sua fé e sem ter razão e conhecimento de si e do mundo que o cerca.

Eu não quero defender o “ateísmo-religiofobista” e claro eu não defendo a ciência como algo primordial na vida, mas sim necessário.

E também não posso dizer que um ateu é todo razão e é superior a qualquer crente e que a ciência tem todas as respostas, assim eu cairia em um fundamentalismo cético que me emputece.
Dá para crer e pensar considerando tudo e indo a todas as fontes de pensamento e ciência sem precisar ter medo de algo.

É um pouco engraçado ver gente torcendo o nariz para a ciência enquanto não abre mão da sua TV de Plasma, Aspirina e outras comodidades que os cientistas trouxeram para o nosso dia-a-dia.

Nunca vi a razão (ciência) querer ou se colocar para acabar com a fé de alguém. A razão quebra o dogmatismo, atraso, superstição e intolerância e isso deveriamos tomar para nós não como ato de descoberta científica e sim como prática cristã diária.

14 de mai. de 2010

Eu Não Sou Cristão!

Por Marco Alcantara

Quando declaro que não sou cristão, quem ouve automaticamente tira de mim toda bondade e fé estereotipadas de um homem que tem religião. E se digo sim, sou cristão o olhar que atraio é um olhar carregado da confiança trazida por anos de ‘confiança imposta’ na história da humanidade.

E se me declarar pertencente ao cristianismo, sendo cristão será que realmente isto me torna verdadeiramente uma pessoa inserida na graça de Cristo?

Mas carregar o rótulo “cristão” é um problema. Quando eu digo "EU não sou cristão" eu também digo “Olá eu sou o Marco" tenho uma identidade que está acima de qualquer religião e isso é autêntico.

E com isso pretendo te deixar além de um ponto de interrogação, um convite ao convívio e conhecimento da minha pessoa e revelação dos meus intentos gerados por minha consciência individual.

Cristão é um título que me dão e realmente eu não gosto de usá-lo como carta de referência, slogan, marketing de uma religião ou promessa de que sou realmente uma pessoa boa.

O cristianismo é feito e constituído por pessoas e nisso ele é falível, como religião, e em outros segmentos como doutrina. Falibilidade esta comprovada pela história das pessoas que constituíam o cristianismo e falibilidade esta comprovada hoje por nossos próprios defeitos e tendências que temos como cristãos hoje. E isso é extremamente natural.

O Cristo é infalível, não duvido disso, mas o cristianismo que não é o próprio Cristo e sim a prática interpretativa das pessoas referente aos ensinamentos Dele, (que se observar em muitos momentos foge aos mandamentos Dele) é completamente passível de erros.


O cristianismo hoje em um contexto generalizado, não segue a Cristo!

E não quero estar inserido neste contexto generalizado e falido.
Toda definição do que eu sou ou do que você é de onde vem?
Se eu me declarar cristão eu sou alguém melhor?
E se eu declarar que sou nada, realmente nada que se enquadre a estes contextos e grupos, eu realmente não terei nenhuma identidade?
Ser eu o Marco já não basta?!

Eu tenho mesmo que ser conhecido pelo grupo que estou inserido? Mesmo que este grupo não diga tudo o que sou ?

Eu creio que acima do cristianismo com sua liturgia, dogmas e regras básicas de comportamento existe um ser único que se apresenta verdadeiramente a um Deus pessoal que sabe olhar o indivíduo e não somente o grupo.


Ou será que este Deus é tão injusto assim que basta a pessoa ter o status quo de cristão para ser alguém verdadeiro?

Quando se fala em consciência pessoal muita gente torce o nariz por que já está condicionada a viver aquilo que aprendeu e que repetidamente toma como ação sem ao menos ter conhecimento das próprias motivações e de seus “porquês”.

Age de forma politicamente correta, mas o politicamente correto é falso, fraco e não tem certeza por si mesmo dos seus atos.

Ou seja, está pessoa vive se anulando para viver o que outros dizem ser certo e por ai não há espírito e muito menos verdade.

Mas quantos já não lhe disseram "Ora o cristão deve agir assim ou assado"?

Ora, se existe um andar no espírito existe então uma consciência espiritual e se existe tal consciência em uma pessoa por que outra pessoa que se diz “cristã há mais tempo” tem que dizer o que devemos fazer?

E se adotarmos o que nos foi dito como verdade logo dirá a outros, o que é verdade usando o título de cristão.

Então a consciência pessoal será nula e o que existirá é somente uma tradição oral que será ditada pelo senso comum.

Paulo antes de se apontado como cristão foi Paulo, Madre Tereza antes de ser apontada cristã foi Tereza e estes são dois exemplos de pessoas que foram conhecidas por seus nomes por serem autênticas.

O autêntico é maior, é verdadeiro.

Ser você mesmo antes de ser o que o título apresenta é se apresentar de forma única e marcar história no mundo.

Não quero receber os tapinhas nas costas daqueles que me tomam como irmão pelo título, mas não sabem nem o que realmente aspiro para comigo e com as outras pessoas e o mundo.

E o que há de verdadeiro nisso?

O que há de verdade em ser empurrado pela maré?

Por isso repito prefiro ser o que EU SOU.

Nota: Republicação do texto de 2008.

30 de abr. de 2010

As Mentiras de Davi Silva e Nossas Atitudes


Mantenho o que foi dito no começo do ano; nós do Lion of Zion não vamos focar nossos textos nos criticáveis e polêmicos ícones evangélicos. Mas algo que vi logo no começo da sua divulgação através do Orkut e blogs que eu acompanho ainda está no meu pensamento.

Estou falando do caso do Davi Silva e a confissão de suas mentiras, algo que me fez meditar bastante. Não por sua atitude ou sobre aquele que erra e se arrepende. Sendo que sobre essa pessoa que se declara arrependida não cabe a eu criticar, julgar ou decretar qualquer grau de verdade em seu arrependimento; mesmo quando o ato é feito de um jeito cômodo através de uma câmera na espera da velocidade virtual para correr pelo mundo.

Não posso participar da insanidade de medir a verdade e a consternação dos outros. Excluo-me deste tipo de avaliação e deixo para aqueles que em nenhum dia de suas vidas mentiram e que ainda pararam definitivamente de mentir para os filhos, mulheres e pais (como queria ter uma câmera na mão para confessar minhas “mentirinhas” para as pessoas que amo).

O que quero e sei que posso avaliar são:

1) O Senso Comum Cristão

2) O Comércio da Graça

3) O Narcisismo Espiritual

Estas são atitudes do nosso cotidiano cristão.

1) O Senso Comum Cristão - toda está situação demonstra o quanto o cristianismo está enrijecido em dogmas empedernidos, cerimoniais vazios e uma ortodoxia verbal debruçada no senso comum. Este senso comum nos faz crer em pastores infalíveis e acima de qualquer questionamento. Os protestantes não têm um só papa, mas vários. Acreditamos que os obreiros devam ser irrepreensíveis e confundimos o termo com infalibilidade e perfeição plena; por conseqüência não testamos ou questionamos nem profeta nem profecia. Abastecemos o combustível dos abusos em forma de ditadura, modismo e charlatanismo espiritual. Nosso senso comum triunfalista exige um Cristo super-herói e que seus representantes mais diretos apresentem episódios extraordinárias, testemunhos poderosos e tendências modernas. Davi silva não foi diferente, foi comum igual a todo mundo; oferecendo o que o povo queria Panis et circenses (pão e circo) ao custo da verdade. Nosso senso comum cristão está mudando (pela graça de Deus) e estamos começando a entender a humanidade dos líderes religiosos e suas possíveis falhas, e essa “abertura” contribuiu de certa forma para que o Davi Silva pudesse promover a verdade, mesmo que depois de mais de dez anos e da maneira mais confortável possível.

2) O Comércio da Graça – dizer que a graça não é de graça é ser redundante, por ser tão real em nosso meio; talvez por quase toda a história do cristianismo ela nunca foi de graça. Podemos lembrar de grandes exceções e lampejos de “gratuidade comum” visto em pessoas como: Dietrich Bonhoeffer, Teresa de Ávila, Ghandi, Madre Teresa de Calcutá entre outros. Davi Silva não foi, não é e ainda não será o único ainda a ganhar dinheiro com testemunhos, congressos, pregações e auto-proclamados dons espirituais. Agora ele declarou o defeito do produto, mas não garante a devolução do produto e o dinheiro de volta. Mas isso é comum, estamos acostumados a consumir produtos de propaganda enganosa que prometem o que nunca foi prometido no Reino pelo Pai.

3) Narcisismo Espiritual – Realmente cremos que ou sabemos tudo ou existem pessoas que sabem tudo do Reino, tudo sobre a graça e até mesmo tudo sobre Deus. Se assumíssemos que nada sabemos estaríamos dando um passo anterior a um conhecimento maior da graça. Estamos criando tendências teológicas, regras de como adorar e um modo único de viver o evangelho através do espetáculo de protagonistas que adotamos como utópicos. Os eventos do Reino podem ser falsificados por narcisismo espiritual, hipocrisia e sensacionalismo (que não passa de meias-verdades). Talvez estejamos nos bastando demais para querermos que outros trilhem um caminho exclusivo de integridade intimidando-os com promessas e testemunhos falsos.

De resto deixo uma frase de Oscar Wilde para pensarmos juntos:

“Há uma espécie de conforto na auto-condenação. Quando nos condenamos, pensamos que ninguém mais tem o direito de fazê-lo.”

12 de abr. de 2010

Solidão e Comunhão Não Carola


A comunhão carola e contemplativa não permite a ninguém que abra seu armário e exponha seus deslizes mais particulares e execráveis.


Sendo assim, é fácil optar preservar o armário e estar definitivamente sozinho com ele. Se caso decidir abri-lo e professar falhas se perpetuara uma solidão ainda maior diante dos santos de expressões mentirosas.

Os momentos de adoração que aparenta procurar um efeito prosaico, a oração comunitária e toda comunhão no ofício ainda parecem ser períodos de solidão íntima no ambiente dos companheiros.
Falta esperança de reviravolta neste tipo de comunhão, pois só experimentamos a comunhão como cristãos carolas e encaixados em nosso ambiente garantido e nunca experimentamos a comunhão como cristãos não carolas errôneos e carentes de sermos ouvidos.

É muita ousadia se declarar perverso, pois os semblantes carolas se vestiriam de odiosidade com a descoberta de um abominável sujeito em meio aos lícitos de justiça cômoda e própria.

O infeliz fato é que os ossos continuam lá no armário e logo não terá mais espaço. Nos domingos de manhã podemos todos juntos apenas fingir acreditar no pesar dos nossos erros e permanecer fingindo acreditar no perdão em um processo de cínico remorso e cínica beatitude.

O medo da justiça própria entre as pessoas não atrai ninguém a se mostrar como realmente é. Mas o isolamento na fortaleza das próprias convicções, racionalismos e temores às vezes nos tornam incapazes de enxergar que talvez nós não sejamos tão diferentes de alguém com justiça própria quanto gostaríamos.
Porém existem outros solitários, trepidantes e desconfiados tão igualmente solidários a comunhão não carola querendo repartir com experiência e confessar fracassos e desventuras. Estes comungam livremente de suas derrotas com quem quer que seja para depois rirem juntos de todas elas. Excepcionalmente os imperfeitos entenderão os destroços confessos por experimentar dos mesmos desastres.


Afortunados são os imperfeitos que comungam nos desgostos e que podem se confessar uns aos outros sem receio na comunhão não carola.

Ao contrário disso viveríamos em um trancado e sufocante solipsismo, buscando uma realidade única com o próprio eu e de que apenas as próprias experiências defeituosas são autênticas.

Leia também...

2leep.com