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8 de dez. de 2012

Comparações: O Catecismo de Heidelberg, a Confissão Helvética e a Confissão de Westminster



O Catecismo de Heidelberg

Formulado por Zacarias Ursino e Gaspar Oliviano sob as ordens do príncipe eleitor Frederico III, o Catecismo de Heidelberg possui influências luteranas, uma vez que seus elaboradores, muito embora houvessem estudado diretamente com Calvino, possuíam grande influência de Melanchton com quem também haviam estudado.

Todavia, tal documento se apresenta uma belíssima obra, que combinada com os Catecismos de Westminster (Maior e Menor) podem ser de grande utilidade à Igreja.

Quando falamos em influência Luterana esta não se apresenta diretamente, mas na ausência de um aprofundamento maior em temas como Eleição, Salvação, Santificação e Ceia do Senhor. Na abordagem dos credos, especificamente no que diz respeito à expressão “desceu até o inferno”, o Catecismo de Heidelberg chega mesmo a ser simplista (no bom sentido, tendo em vista que a Confissão de Westminster e seus Catecismos, foi trabalhada por um parlamento e durante vários anos).

Finalmente, o Catecismo de Heidelberg é o mais devocional de todosos catecismos produzidos na Reforma, sendo elaborado de tal forma que seja estudado nos 52 domingos do ano.

Diferenças entre a Confissão Helvética e a Confissão de Westminster.

Temos duas confissões helvéticas uma produzida em 1536 por um grupo de teólogos e outros delegados, e, outra, produzida em 1562, por Heinrich Bullinger num exercício pessoal e publicada pelo príncipe Frederico III, sendo adotada pelas igrejas reformadas da Suiça, Hungria, Polônia, França, dentre outras.

Ao fazermos uma comparação entre as duas confissões (Helvética e de Westminster) não podemos deixar de observar que Westminster foi à última das confissões produzida, tendo, portanto todas as anteriores para levar em consideração no que diz respeito à extensão de seus temas e profundidade de sua abordagem.

Podemos observar que nas doutrinas da Trindade e das Pessoas e naturezas de Cristo, os Símbolos de Fé produzidos em Westminster seguem a tradição de Nicéia-Constantinopla, Calcedônia, e os Symbolum Quicunque (Credo Atanasiano), e não diferem em nenhuma consideração significante das Confissões Reformadas. O mesmo é verdadeiro das doutrinas da criação e da queda do homem e de sua salvação em Jesus Cristo.

Podemos, contudo, observar que a Confissão de Westminster é mais vigorosa do que os credos Reformados sobre a matéria da imputação da culpa do pecado de Adão (V, 3) e, subsequentemente  sobre a verdade da justiça imputada (XI, 1. Veja também O Catecismo Menor, 18 & 33). A Confissão de Westminster teve também um capítulo inteiro devotado à questão do livre-arbítrio (IX), e outros capítulo sobre as boas obras (XVI), que é um extensivo e excelente tratamento deste assunto. Alguns detalhes interessantes aparecem no tratamento da soteriologia. 

No capítulo X, 3 é feita menção da regeneração, embora isto seja identificado com o chamado eficaz, mas no XIII,1 os dois são mencionados lado a lado. No X, 3 aparece uma declaração estranha que parece implicar que é possível aos adultos eleitos serem salvos sem o ministério da Palavra. No XI,4 a justificação eterna e temporal são mencionadas juntas. Em toda a área de Eclesiologia e Escatologia, nenhuma diferença significante aparece entre os dois grupos de confissões, embora a Confissão de Westminster tenha desenvolvido mais extensivamente idéias como a lei de Deus (XIX), liberdade Cristã e liberdade de consciência (XX), juramentos legais e votos (XXII), magistrados civis (XXIII) – onde a autoridade para chamar os Sínodos é dada aos magistrados, censuras Eclesiásticas (XXX), e Sínodos e Concílios (XXXI). 

A Confissão de Westminster é também o único credo de importância na tradição Protestante que rotula o papa como o Anticristo (XXV, 6).

Há duas importantes áreas onde as Confissões de Westminster têm um tratamento muito mais detalhado de doutrinas vitais do que as Confissões Reformadas. Uma é a doutrina da Escritura; a outra é a doutrina do pacto.


Fontes:
Mark, A. Noll, “Confissões de Fé”, EHTIC, vol. I


16 de fev. de 2012

Dica de Leitura: “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”




Quando estiver em Minas Gerais, aproveite para conhecer a obra sacra de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho. Vale lembrar que esse homem, portador de deficiências terríveis, que o faziam andar de joelhos e esculpir escondido, para esconder suas chagas, praticamente um monstro, superou tudo isso e criou uma obra marcante. Ah, vale lembrar também que ele nunca existiu. É um produto de ficção de um historiador picareta.
Os maiores assassinos de índios brasileiros eram os próprios índios; e eram, sobretudo, genocidas, promovendo faxinas étnicas tribais. Além disso, tribos beligerantes aliaram-se aos europeus para matar os inimigos. Quem? Ora, outras tribos, outros índios. E os silvícolas nunca tiveram a menor noção de ecologia ou preservação florestal, coisa que aprenderam com os portugueses, de quem pegaram algumas doenças e pra quem passaram tantas outras. A aliança de algumas tribos e portugueses serve para ilustrar a premissa. Imaginem naus repletas de homens fracos e doentes. Na praia, milhares de guerreiros. Embora tudo esteja fundamentado em estudos e documentos, a lógica nos ajuda a compreender a obviedade da aliança – e também a história de guerras constantes entre as tribos. Para um tupi, o português era tão estrangeiro quanto um caiapó.

19 de ago. de 2011

36 argumentos para a existência de Deus. Ou contra...

Rebecca Goldstein: "Ateus e religiosos concordam mais sobre o mundo do que imaginam"Em entrevista ao site de VEJA, a "ateia com alma" Rebecca Goldstein critica o radicalismo de crentes e descrentes e comenta seu novo livro, uma saborosa "cilada" para os fanáticos de ambos os lados

Marco Túlio Pires
"Os ateus têm que acabar com o pedantismo. Eles não têm que ensinar como as pessoas religiosas devem pensar"
"As pessoas religiosas têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado"
Uma ateia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.
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9 de ago. de 2011

A busca de Isaac Newton por 'código da Bíblia' sobre o fim do mundo

  Por Reinaldo José Lopes Do G1

Pai da física moderna realizou estudo detalhado do livro do profeta Daniel e do Apocalipse. Cientista relacionava profecias com história política e religiosa da Europa até sua época.

Um livro que ajuda a revelar um lado surpreendente de Isaac Newton (1643-1727), pai da física moderna e responsável por formular a lei da gravidade, entre outras realizações científicas fundamentais. Nas horas vagas (ou, para ser mais exato, na maior parte do tempo durante sua maturidade), Newton se dedicava a um estudo detalhado, ponto por ponto, dos escritos atribuídos ao profeta Daniel e do Apocalipse, os dois livros bíblicos que mais versam sobre o fim do mundo. Para o cientista britânico, as duas obras eram guias precisos para a história do mundo até sua época e continham a chave para desvendar o que aconteceria no final dos tempos.

Confissões Agostinianas


“Mas, que amo eu, quando te amo? Não amo a beleza do corpo, nem o esplendor fugaz, nem a claridade da luz, tão cara a estes meus olhos, nem as doces melodias das mais diversas canções, nem a fragrância de flores, de ungüentos e de aromas, nem o maná, nem o mel, nem os membros tão afeitos aos amplexos da carne. Nada disto amo quando amo o meu Deus.

4 de jul. de 2011

O Evangelho Maltrapilho

Creio que a Reforma realmente começou no dia em que Martinho Lutero orou sobre o significado das palavras de Paulo em Romanos 1:17: “visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé”.

Como muitos cristãos dos nossos dias, Lutero se debatia noite adentro com a questão fundamental: de que forma o evangelho de Cristo podia ser realmente chamado de “Boa Nova” se Deus é um juiz justo que retribui aos bons e pune os perversos?

Será que Jesus veio realmente revelar essa terrível mensagem? De que forma a revelação de Deus em Cristo Jesus poderia ser acuradamente chamada de “Nova”, já que o Antigo Testamento defendia o mesmo tema, ou de “Boa”, com a ameaça de punição suspensa como uma nuvem escura sobre o vale da história?



30 de jun. de 2011

A Velha e a Nova Cruz


Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

8 de jun. de 2011

Jesus: Deus, Mentiroso ou Lunático - Cristianismo Puro e Simples - C.S Lewis



Um trecho do clássico "Cristianismo Puro e Simples" de C.S Lewis. Junto com vários clipes da "Paixão de Cristo" de Mel Gibson.

Clive Staples Lewis, conhecido como C. S. Lewis, (Belfast, 29 de Novembro de 1898 Oxford, 22 de Novembro de 1963) foi um autor e escritor irlandês que se salientou pelo seu trabalho académico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série de livros infantis de nome As Crônicas de Nárnia.

Entre seus clássicos se encontram:

- Cristianismo Puro e Simples
- O Problema do Mal
- Cartas do Inferno
- Os Quatro Amores
- Surpreendido pela Alegria (Autobiografia)

Foram vendidas mais de 200 milhões de cópias dos 38 livros escritos por Lewis, os quais foram traduzidos para mais de 30 línguas, incluindo a série completa de Nárnia para a língua Russa. Entre 1996 e 1998, quando foi celebrado o seu centenário, foram escritos cerca de 50 novos livros sobre sua vida e seus trabalhos, completando mais de 150 livros desde o primeiro, escrito em 1949 por Chad Walsh: "C. S. Lewis: O Apóstolo dos Céticos". É respeitado até pelos que não concordam com a sua abordagem, inclusive dando nome a um asteróide denominado 7644 Cslewis descoberto em 4 de novembro de 1988 por Antonín Mrkos.

Fonte (Wiki)

3 de jun. de 2011

Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Se a virtude pode ser ensinada, como creio, é mais pelo exemplo do que pelos livros. Então, para que um tratado das virtudes?

Para isto, talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer, ou ser, ou viver, e medir com isso, pelomenos intelectualmente, o caminho que daí nos separa. Tarefa modesta, tarefainsuficiente, mas necessária.
Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres), e alunos precisam de livros; é por isso que eles às vezes escrevem livros, quando os que têm à mão não os satisfazem ou sufocam. Ora, que livro é mais urgente, para cada um de nós, do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse, na moral, do que as virtudes?
Assim como Spinoza, não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal, o pecado. Para que sempre acusar, sempre denunciar?

É a moral dos tristes, e uma triste moral. Quanto ao bem, ele só existe na pluralidade irredutível das boas ações, que excedem todos os livros, e das boas disposições, também elas plurais, mas sem dúvida menos numerosas, que a tradição designa pelo nome de virtudes, isto é (este é o sentido em grego da palavra arete, que os latinos traduziram por virtus), de excelências. O que é uma virtude?

É uma força que age, ou que pode agir. Assim a virtude de uma planta e de um remédio, que é tratar, de uma faca, que é cortar, ou de um homem, que é querer e agir humanamente. Esses exemplos, que vêm dos gregos, dizem suficientemente o essencial: virtude é poder, mas poder específico.

A virtude do heléboro não é a da cicuta, a virtude da faca não é a da enxada, a virtude do homem não é a do tigre ou da cobra.

A virtude de um ser é o que constitui seu valor, em outras palavras, sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem, o bom remédio é o que cura bem, o bom veneno é o que mata bem...


Pequeno tratado das grandes virtudes. pág 4. Sponville

Argumentações de Brejeiro ante ao Ceticismo Aberto

Por Raul Vitor Rodrigues Peixoto

Bem, considerem-se ao redor da fogueira experimentando um guisado de enguias com batatas. A paisagem ao lado é a charneca de Etin ao norte de Nárnia e essa cabana simples pertence ao nosso ilustre personagem: O Brejeiro.
Brejeiro é um personagem do livro “A Cadeira de Prata” de C.S. Lewis, a 6° Crônica de Nárnia. Meu fascínio por esse personagem começou com a primeira leitura que fiz deste livro, logo ele se tornou indiscutivelmente meu personagem favorito de todas as Crônicas. Uma identificação se tornou latente entre a minha personalidade e o peculiar personagem.

As situações que o paulama – nome da espécie a qual Brejeiro pertence – enfrentou durante sua “jornada do herói” eram quase que as mesmas situações que eu tenho de enfrentar em minha “jornada Cristã”. E a maneira como Brejeiro enfrenta essas situações adversas é a mais pessimista (ou realista, como eu prefiro) que se possa imaginar, e por conseqüências o mais cômico possível também.

O ápice desses embates que Brejeiro enfrenta é a discussão final com a Feiticeira Verde. Era incrível a que ponto a genialidade de Lewis poderia chegar, algo que aconteceu comigo por quase todos os dias em que estive na faculdade estava acontecendo alí nas paginas de um livro que “tecnicamente” era para crianças. Obviamente que a questão que era travada por Brejeiro e a Feiticeira Verdade antes de falar a mim, havia martelado na mente do próprio Lewis mais de meio século antes de martelar em minha mente. A questão dizia respeito ao Ceticismo.

Inteiro vocês da questão. O que se passa no momento da história é resumidamente o seguinte: As crianças Jill e Eustaquio estão juntamente com Brejeiro numa jornada em busca de um príncipe a muito perdido. Eles chegam então após muitos perigos a um reino subterrâneo onde os seres lá viventes são monótonos e praticamente não esboçam nenhum traço de alegria. As crianças e o paulama encontram o príncipe e o libertam de um terrível feitiço posto pela rainha daquele mundo, a Feiticeira Verde.
O que é mais interessante de se notar é que o feitiço dessa rainha é mais que algum componente mágico maléfico, seu principio ativo é o Ceticismo.

Mesmo depois de já terem ajudado príncipe Rilian a se libertar da mentira que o cativava na cadeira de prata e de todos saberem de sua maldade e sagacidade a Feiticeira Verde tenta novamente enfeitiçar Rilian e conseqüentemente Jill, Eustaquio e Brejeiro.

Com a ajuda de um pó mágico verde que subia da fogueira que inebriava os presentes no salão e tocando uma musica monótona em um bandolim – que também atrapalhava o raciocínio – a Feiticeira persuade seus alvos de que nada existe além do mundo triste e escuro que ela governa. As tentativas das crianças de dizerem que já estiveram no outro mundo, onde havia sol, florestas e céu azul eram taxativamente rechaçadas pela Feiticeira que acusava as crianças de estarem sonhando acordados, ao mesmo tempo que, dizia que imaginar esse tipo de coisa era para crianças pequenas e que eles já eram “grandinhos” demais para crerem nesse tipo de bobagem.

Quando as crianças citavam o sol, a Feiticeira as acusava de devaneios, pois elas apenas estavam vendo o lustre e imaginando por conseqüência um lustre gigantesco que iluminasse todo o céu, por conseqüência esse lustre não poderia existir pois seria apenas um aumentativo imaginário de um pequeno lustre que realmente existia.

As crianças caíram no feitiço e logo concordavam com a bruxa que na realidade não existia um outro mundo e não havia sol, pois o conceito de sol não passava de um sonho a respeito da lâmpada no teto do castelo, que realmente existia. É interessante como nesse ponto Lewis diz que era um “alívio” para as crianças e para Rilian admitir que o sol não existia e por conseqüência concordar com a bruxa. Nesse “alívio” temos claramente a experiência de Lewis quando no auge de sua juventude se sentiu aliviado ao se declarar Ateu, obviamente o “alívio” vem do fato de que ceder ao feitiço do ceticismo dê um aparente “descanso” a mente que se encontra conflitante, porém é mais claro ainda como essa desistência e esse “alivio” tem um preço caro a ser pago adiante.

Eustaquio cita então num ultimo esboço de sanidade Aslam, o Leão que no mundo de Narina é a figura da Divindade Messiânica, o mesmo argumento do sol é usado de novo pela bruxa que diz que o leão não passa de um gato visto pelos garotos em seu “mundo real” e potencializado em leão pelas crianças em um “mundo imaginário”. Dessa forma as crianças e Rilian cedem totalmente ao feitiço do ceticismo e já parecem não mais crer em coisas que um dia foram tão reais em suas próprias experiências de vida. Este é o poder do ceticismo na vida do cristão, ele pode ludibriar nossa mente cauterizando nossa consciência a ponto de negarmos nossas próprias experiências pessoais com Deus. As crianças negaram um mundo do qual elas mesmas pessoalmente haviam feito parte.

A Feiticeira Verde só não contava com o pessimista Brejeiro. Pessoas pessimistas, quase sempre, estão prontas para qualquer situação. Brejeiro toma uma atitude radical quanto ao feitiço ele apaga com os próprios pés o fogo da lareira que espalhava o doce cheiro enebriante, o feitiço perde então a sua força, ao passo que, a terrível dor da queimadura acomete os pés de Brejeiro, porém é essa dor que esclarece seus pensamentos. Quando decide abandonar o ceticismo o homem se submete a uma terrível dor, a de ter certeza de que terá de dar conta de seus atos perante uma força superior, a consciência desse fato retira o homem de sua conduta errante e ausente de sentido e o conclama a uma mudança de vida radical, mas é justamente o temor da descoberta da eternidade que leva a mente do homem a se desvencilhar de todos os feitiços.

Assim, diante de uma Feiticeira desesperada por ter de encarar um ser sóbrio, Brejeiro começa o seu argumento:

“– Uma palavrinha, dona – disse ele, mancando de dor –, uma palavrinha: tudo o que disse é verdade. Sou um sujeito que gosta logo de saber tudo para enfrentar o pior com a melhor cara possível. Não vou negar nada do que a senhora disse. Mas mesmo assim uma coisa ainda não foi falada. Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, aquilo tudo – árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco. E o que estou dizendo é engraçado, se a gente pensar bem. Somos apenas uns bebezinhos brincando, se é que a senhora tem razão, dona. Mas quatro crianças brincando podem construir um mundo de brinquedo que dá de dez a zero no seu mundo real. Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um Nárniano mesmo que Nárnia não exista. Assim agradeço sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz.”

Dessa maneira Brejeiro destrói o feitiço cético e a bela Feiticeira e Rainha Verde se mostra a serpente sagaz que na verdade sempre foi. Em sua forma real ela acaba por ser finalmente morta. Assim C.S. Lewis através de seu personagem Brejeiro nos apresenta um argumento cabal contra toda a contestação cética que o Cristão verdadeiro encontra por onde quer que passe. A maioria esmagadora dos ateus pensa que o Cristão segue as leis divinas e os preceitos bíblicos simplesmente por temer o inferno. Vários textos bíblicos e o argumento do Brejeiro provam justamente o contrario: o Cristão Verdadeiro tem prazer na Lei de Deus. Não a segue por um temor. A praticaria mesmo se Deus fosse um sonho. Note que Brejeiro é o único que não deixa de crer na existência do mundo de cima hora alguma, porém ao argumentar ele se da o direito de supor a inexistência desse mundo e de Aslam, o que para ele é um absurdo, mas ele compreende que para argumentar contra o cético essa concessão passageira deve ser feita, pois só dessa maneira o cético será destituído de todo seu argumento. O que o ateu argumentará após declararmos que vivemos uma vida baseada em princípios Cristãos não por um medo de punição mas sim pelo prazer em viver dessa maneira? Mais complicada ainda fica a situação do ateu quando dizemos a ele que o “mundo real” dele não basta para nós, pois firmados nos princípios bíblicos nos tornamos maiores que este mundo, pois aquele que esta em nós já venceu este mundo. O mundo em que cremos e que para o ateu não passa de imaginação da de dez a zero no “mundo real” ao qual o ateu se prende quando cria artifícios, os mais diversos possíveis, para se esconder perante a realidade eminente da existência das coisas espirituais.
Estamos dispostos a trilhar por esse mundo de trevas, trilhar no caminho que leva ao Mundo de Cima, pois negar os “prazeres” desse “lugar tão chato” não é para nós prejuízo algum.

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Fonte: Argumentos Brejeiros

21 de mai. de 2011

Capitulo Primeiro: O Inicio da Tristeza e a Caminhada entre Abismos [parte 1]


Até quando te esquecerás de mim, SENHOR? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando consultarei com a minha alma, tendo tristeza no meu coração cada dia? Até quando se exaltará sobre mim o meu inimigo? Atende-me, ouve-me, ó SENHOR meu Deus; ilumina os meus olhos para que eu não adormeça na morte; Para que o meu inimigo não diga: Prevaleci contra ele; e os meus adversários não se alegrem, vindo eu a vacilar. Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao SENHOR, porquanto me tem feito muito bem.
Livro de Salmos Capitulo 13

Quando ainda continha em mim muita juventude fui convidado a ser padrinho de casamento de um grande amigo que congregava junto comigo em uma igreja pentecostal pequena da qual lutamos juntos para que crescesse. Na época lembro que, não tinha deixado a idéia de montar uma família florear, lembro que minha ansiedade era trabalhar, estudar e ver até onde eu iria com isso e que a idéia de fundar uma família era por demais atemorizada por que nunca me via preparado, ou mesmo não conseguia conceber alguém para viver a vida integralmente, pois entendia ser impraticável uma família se manter amando-se a vida inteira, afinal minha família se rompeu muito cedo.

Mas regressando ao mote do casamento de meu amigo, lembro que a pregação na cerimônia foi de que era desagradável ao homem permanecer sozinho.

“E minha alma, sem luz nem tenda, passa errante, na noite má, à procura de quem me entenda e de quem me consolará...” Cecília Meireles

Sempre fui só, nunca fui um indivíduo de muitos amigos, mas de escassos amigos sinceros e leais. Nunca fui de ter muitas namoradas e das namoradas que tive algumas vezes as cultivava por mera obstinação ou por algum sentimento que não lembro agora, mas se lembrasse também não saberia como.

Ou seja, jamais amei ninguém e jamais me conheci amado.

“Se as coisas são inatingíveis... Ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas.” Mario Quintana

Mas a partir desse casamento almejei muito amar alguém para a vida toda mesmo que isso fosse algo muito remoto como estrelas. Mas em uma comunidade de loucura virtual e por idéias espalhadas na rede conheci alguém distante e intangível a não ser pelo toque de vidro de um monitor. Ela era conhecida como Sol, habitava em Recife, Pernambuco bem longe da capital paulista.

Mas a cada toque de teclado, a cada frase interurbana, a cada carta ela me fez experimentar que era admissível eu amar e me experimentar ser amado, e ter um relacionamento de troca intima de sentimentos e especialmente uma união de existência duradoura.

Quando nos vimos pessoalmente no aeroporto da capital paulista me tornei um misto de homem sem jeito com alguém que estava determinado e que sabia que aquela era a mulher da sua vida, afinal como se pronuncia popularmente “toda panela tem sua tampa” e pelo jeito aquela seria a minha.



“Eu quero amar, amar perdidamente. Amar só por amar.”
Florbela Espanca

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Ainda continuarei o Capítulo Primeiro. Lembrando que é somente um esboço.

*Para quem não sabe lutamos muito por Davi, meu filho, desde seus sete meses de idade. Descobrimos nessa época que ele tinha um câncer raríssimo em crianças. O grande Golias a ser vencido se chamava Glioblastoma Multiforme localizado no sistema nervoso central. As previsões eram as piores possíveis a melhor delas era a cegueira e o lado esquerdo paralisado. Mas era unânime entre os médicos que estimativa de vida era só de mais três meses.
Mas hoje Davi está com dois anos e curado, foi mais de um ano de choro, luta e desespero avassalador que consumiu minha família.
Com está série de textos quero compartilhar algo que tem muito mais a ver com amor de Pai e filho do que um por que de nossas angustias.
Abraço!*

16 de mai. de 2011

Descobrindo Deus - Philip Yancey


Ouço as histórias de Louise a tarde toda. À medida que o sol se põe, descendo por trás das árvores lá fora, fico emocionado e inspirado, mas tenho somente uma idéia muito vaga de como Louise na realidade gasta o tempo. O que aconteceu ontem, por exemplo, ou hoje? Será que ela simplesmente acorda de manhã e fica esperando o telefone tocar? Eu a interrompo para fazer essa pergunta.
"de manhã? Não, não, normalmente toca de noite. Vamos ver, ontem. Ah, sim. Uma mãe com a qual tenho trabalhado me ligou ontem por volta da hora do jantar. Fui para lá na hora e a encontrei no meio do assoalho, com o rosto todo machucado. O marido tinha batido nela de novo. Havia uma garrafa grande com remédios vendidos somente com prescrição ao lado dela no chão, e ela me disse que tinha lutado o dia inteiro para não tomá-los. Duas crianças estavam berrando a plenos pulmões no quarto ao lado. Tinha trazido algumas coisas para comer, então fizemos o jantar, acalmamos as crianças e passamos as duas horas seguintes limpando a casa juntas. Depois disso, estávamos cantando hinos juntas enquanto fazíamos a limpeza.
"Quando cheguei em casa, a canseira baixou. Recebi outro telefonema por volta de meia-noite. Três velhinhas tinham sido trancadas numa casa durante três dias, sem comida. Minha primeira reação foi 'Senhor, estou cansada. Quero ir para a cama'. Mas Jesus disse para amarmos o próximo como a nós mesmos, e se fosse a minha mãe naquele apartamento, eu gostaria que alguém a alimentasse. E então fui direto para a loja...

"Elas moravam no terceiro andar. Levar as compras até o segundo andar me deixou exausta. Mas em algum ponto da escadaria do terceiro andar, foi como se Deus me desse uma injeção de B-12. Entrei e passei três horas com aquelas adoráveis senhoras. Fizemos um banquete no meio da noite. Fiquei tão animada que mal consegui dormir quando cheguei em casa."
E quanto à exaustão? "Bem, com certeza fico cansada, e quando a coisa fica feia eu vou para uma fazenda no norte da Geórgia por uma semana e pouco. Mas Jesus disse para buscarmos primeiro o reino de Deus, e que todas essas coisas nos seriam acrescentadas. E quer saber de uma coisa? Isso é verdade. As vezes acontecem algumas coisas que desencorajam. No ano passado minha casa foi arrombada três vezes. Normalmente sei quem foi — moleques atrás de dinheiro para as drogas. Da última vez foram dois moleques que durante anos eu tentava ajudar. Descobri onde eles estavam, disse-lhes que obviamente não daria queixa e perguntei se poderia orar com eles. Então o melhor de tudo aconteceu. Ouvi da mãe de um moleque que seu filho tinha dito a ela: À dona Adamson deixa a gente intrigado. Eu arrombo a casa dela e ela vem prá gente com um carregamento de comida e uma Bíblia. Isso me incomoda'. Agora, isso não é formidável? Se ele tivesse ido para a prisão, ele sairia de lá tão enlouquecido que nunca conseguiria alcançá-lo para Jesus. Agora ele não consegue tirar Jesus da cabeça!"

Descobrindo Deus - Philip Yancey
pág: 73/74

Onde a criança dorme: um mundo diverso de Imóveis


Quando o fotógrafo James Mollison foi convidado para fazer um projeto sobre direitos das crianças, ele encontrou-se a pensar de volta em seu quarto de infância e a importância profunda que desempenhou na sua criação. Tomando essa idéia com ele ao redor do mundo, ele fotografou uma parte diversificada das crianças e os quartos que eles chamam de casa. Suas imagens em movimento retira as crianças do seu ambiente familiar, mostrando-lhes antes um fundo neutro que mais esconde do seu estatos economico, como se dissesse "as crianças são apenas crianças."Só quando o quarto é observado, porém, o escopo completo de sua vida torna-se pacientemente claro. Onde a criança dorme, um belo livro de capa dura com 112 fotografias.













[Fonte] Visual News

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